Influência de tratamentos específicos
O estudo apontou resposta imune reduzida em pessoas que utilizavam determinados fármacos, como rituximabe ou micofenolato de mofetila. Para esses casos, os autores sugerem a necessidade de avaliações individualizadas, considerando possibilidades como doses adicionais ou reforços em períodos apropriados, de forma a garantir a proteção desejada.
Disponibilidade do imunizante
A vacina recombinante contra o vírus Varicela-Zóster (VVZ) já está disponível no mercado brasileiro e é recomendada para adultos a partir de 50 anos, faixa etária em que o risco de desenvolver herpes-zóster aumenta significativamente. Em pacientes com doenças reumáticas, a prevenção é considerada especialmente importante, pois infecções podem demandar hospitalização e gerar custos elevados, além de riscos clínicos adicionais.
Artigo publicado
Os resultados completos foram divulgados na revista científica The Lancet Rheumatology, reforçando o nível de evidência e a relevância dos achados para a prática clínica. De acordo com a coordenadora da pesquisa, professora Eloisa Bonfá, do Departamento de Clínica Médica da FMUSP, os dados coletados oferecem suporte para recomendações de vacinação em pessoas com DRAI, inclusive quando há atividade de doença.
Entenda a herpes-zóster
A herpes-zóster, conhecida popularmente como “cobreiro”, é provocada pela reativação do VVZ, o mesmo agente que causa a catapora. Depois da infecção primária, o vírus permanece em estado latente nos gânglios nervosos e pode ser reativado décadas depois, sobretudo em adultos mais velhos ou em indivíduos com imunidade comprometida.
Os sintomas iniciais incluem dor intensa, formigamento, ardor ou coceira em uma faixa da pele. Em seguida, surgem manchas avermelhadas que evoluem para pequenas bolhas agrupadas, cheias de líquido transparente. As vesículas rompem, secam e formam crostas em aproximadamente sete a dez dias, com cicatrização completa da pele em até quatro semanas. Outros sinais possíveis são febre baixa, mal-estar e cefaleia.
Tratamento e complicações
O manejo clínico prevê o uso de antivirais, preferencialmente iniciados nas primeiras 72 horas após o aparecimento das lesões, além de analgésicos para o controle da dor. Quando há infecção bacteriana secundária, podem ser prescritos antibióticos.
Entre as complicações mais frequentes destacam-se:
- Neuralgia pós-herpética, caracterizada por dor persistente que pode durar meses ou anos;
- Alterações neurológicas que afetam equilíbrio, fala, deglutição ou movimentos oculares e dos membros;
- Trombocitopenia, com redução do número de plaquetas no sangue;
- Síndrome de Reye, inflamação rara e potencialmente fatal no cérebro;
- Varicela disseminada ou hemorrágica em pessoas com deficiência imunológica;
- Infecções bacterianas de pele, como impetigo, abscessos, celulite ou erisipela, além de quadros sistêmicos de sepse que podem evoluir para artrite, pneumonia, endocardite, encefalite, meningite ou glomerulonefrite.
Importância da vacinação
A prevenção por meio da vacina recombinante reduz a incidência da doença e a probabilidade de complicações graves, especialmente em grupos vulneráveis. Para portadores de doenças reumáticas autoimunes, a estratégia pode diminuir hospitalizações e melhorar a qualidade de vida, sem comprometer o controle das enfermidades de base, conforme demonstrado no estudo da FMUSP.
Crédito da imagem: MS/Divulgação