O HPV é um vírus associado a diferentes tipos de câncer, incluindo o de colo do útero, pênis, ânus e orofaringe. A transmissão ocorre pelo contato direto com pele ou mucosas infectadas, principalmente durante atividade sexual, mas também pode suceder em situações de contato íntimo pele a pele. Por essa razão, a vacinação antes do início da vida sexual é considerada medida preventiva de maior impacto.
No sistema público paulista, a vacina contra HPV é oferecida gratuitamente em todas as UBSs. Para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, o esquema atual prevê dose única, conforme recomendação do Ministério da Saúde. A imunização gratuita também está disponível para pessoas de 9 a 45 anos que pertencem a grupos com condições clínicas especiais, como indivíduos que vivem com HIV/Aids, transplantados de órgãos sólidos ou medula óssea, pacientes oncológicos imunossuprimidos, vítimas de abuso sexual e portadores de papilomatose respiratória recorrente.
Maria Lígia Nerger, diretora da Divisão de Imunização do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da secretaria, ressalta que a proteção ideal é obtida quando a aplicação ocorre o mais cedo possível, preferencialmente aos nove anos. Nessa idade, o sistema imunológico responde de forma mais eficaz ao antígeno, garantindo níveis elevados de anticorpos e maior duração da defesa contra o vírus.
A orientação aos responsáveis inclui verificar periodicamente a caderneta vacinal das crianças e buscar a UBS de referência sempre que houver doses pendentes. Em diversos municípios, equipes de saúde utilizam ferramentas de mensageria, ligações telefônicas e visitas domiciliares para localizar usuários ausentes dos registros de imunização. Segundo a secretaria, essas abordagens contribuíram significativamente para o crescimento dos indicadores observado entre 2022 e 2025.
Mesmo com os avanços, o Estado reconhece que a diferença em relação à meta do PNI exige manutenção das ações de mobilização. Para meninos, o patamar atual está cerca de 15 pontos percentuais abaixo do objetivo; para meninas, a lacuna é de pouco mais de 3 pontos. Técnicos da vigilância epidemiológica apontam que a hesitação vacinal, a desinformação sobre segurança e eficácia do imunizante e a dificuldade de deslocamento até postos de saúde ainda figuram entre os principais obstáculos.
Além de proteger o indivíduo vacinado, a cobertura ampla ajuda a reduzir a circulação do vírus e, consequentemente, a incidência dos cânceres associados. Estudos de vigilância global indicam que países que alcançaram altos índices de vacinação entre adolescentes registraram diminuição significativa de lesões precursoras de câncer de colo de útero e queda de infecções genitais por subtipos oncogênicos do HPV.
Com vistas a 2026, a Secretaria de Estado da Saúde planeja manter campanhas educativas em escolas, ampliar horários de atendimento em UBSs de maior movimento e reforçar a distribuição de material informativo sobre a importância da imunização na pré-adolescência. A meta segue inalterada: atingir, e sustentar, 90% de cobertura em ambos os sexos, conforme diretriz nacional.
Crédito da imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil