Campanha de vacinação nas escolas pretende imunizar 27 milhões de estudantes até 30 de abril

Radar da Saúde

A Semana de Vacinação nas Escolas, iniciativa conjunta dos Ministérios da Saúde e da Educação, segue até a próxima quinta-feira, 30 de abril, com a meta de atualizar a caderneta de 27 milhões de crianças e adolescentes matriculados na rede pública de ensino. Lançada na última sexta-feira, 24, a ação oferece seis imunizantes e busca ampliar a cobertura vacinal de estudantes com idade entre 9 meses e 15 anos, além de contemplar jovens de 15 a 19 anos que ainda não receberam a vacina contra o papilomavírus humano (HPV).

Durante a semana, equipes de saúde deslocam-se às escolas para aplicar as doses mediante autorização prévia de pais ou responsáveis. Os imunizantes disponíveis são HPV, febre amarela, tríplice viral, tríplice bacteriana (DTP), meningocócica ACWY e covid-19. A intenção do governo é reduzir deslocamentos das famílias até as unidades básicas de saúde e, ao mesmo tempo, recuperar coberturas que sofreram queda nos últimos anos, especialmente durante o período crítico da pandemia de covid-19.

A estratégia faz parte do Programa Saúde na Escola (PSE), política pública que há mais de uma década integra ações de prevenção e promoção da saúde no ambiente escolar. Segundo o Ministério da Saúde, concentrar a vacinação em locais de grande circulação estudantil facilita o acesso e favorece o cumprimento do calendário nacional de imunização.

Além da mobilização presencial, a pasta aposta em tecnologia para reforçar o acompanhamento de doses. A Caderneta Digital de Vacinação da Criança, disponível no aplicativo Meu SUS Digital desde abril de 2025, já contabiliza 3,3 milhões de acessos. A plataforma reúne o histórico de imunizações registradas no Sistema Único de Saúde (SUS) e passou a disparar lembretes automáticos de acordo com a idade da criança ou adolescente, indicando o momento adequado para a próxima aplicação.

Dados do Ministério da Saúde mostram sinais de recuperação das coberturas vacinais após o declínio observado entre 2016 e 2022. Em 2025, todos os imunizantes do calendário infantil apresentaram avanço em relação ao ano anterior. A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, alcançou 92,96% de cobertura, contra 80,7% em 2022, mantendo o país livre do sarampo apesar do aumento de casos na América do Norte.

No enfrentamento ao câncer de colo de útero, o Brasil obteve progressos relevantes. A vacinação contra o HPV atingiu 86,11% de cobertura entre meninas de 9 a 14 anos e 74,46% entre meninos da mesma faixa etária. O índice feminino brasileiro supera em cinco vezes a média mundial, de acordo com a pasta. Já a proteção contra a meningite também avançou: a aplicação da meningocócica ACWY passou de 45,8% em 2022 para 67,75% em 2025.

Apesar da melhora, autoridades sanitárias ressaltam que os patamares ideais para a maioria das vacinas infantis situam-se acima de 95%. Por esse motivo, a Semana de Vacinação nas Escolas foi estruturada para ampliar o alcance e atingir estudantes que, por diferentes motivos, permanecem com doses atrasadas. A logística inclui o transporte adequado dos imunizantes, a instalação de salas de aplicação temporárias nas unidades de ensino e a disponibilização de profissionais capacitados para esclarecer dúvidas de pais, professores e alunos.

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Imagem: Radar da saúde 7

Os gestores estaduais e municipais de saúde ficaram responsáveis por organizar o cronograma de visitas às escolas, respeitando as particularidades regionais de calendário letivo e de demanda por doses. As secretarias de educação, por sua vez, colaboram na distribuição dos termos de autorização, na divulgação das datas de vacinação e no controle do fluxo de estudantes que comparecem às salas adaptadas.

Paralelamente, campanhas de comunicação em rádio, televisão e redes sociais chamam a atenção para a importância da imunização completa. As mensagens destacam a segurança dos imunizantes oferecidos no SUS, lembram que a atualização da caderneta é requisito para evitar surtos de doenças já controladas e reforçam que a proteção coletiva depende de altas coberturas.

Ao término da mobilização, os Ministérios da Saúde e da Educação pretendem divulgar balanço detalhado de doses aplicadas, perfil etário dos estudantes alcançados e percentual de adesão em cada unidade federativa. As informações servirão de base para ajustes em futuras ações do Programa Saúde na Escola e para orientar políticas de reforço à vacinação em grupos com menor cobertura.

Crédito da imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

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