O Brasil aproveita a Semana Mundial de Imunização para reforçar a vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) em escolas públicas e privadas. A estratégia, apoiada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pelo Sistema Único de Saúde (SUS), tem elevado significativamente a cobertura vacinal entre crianças e adolescentes, embora especialistas alertem que a vigilância deve permanecer constante para evitar retrocessos.
Avanço consistente na cobertura vacinal
Entre 2021 e 2025, o percentual de meninas de nove a 14 anos vacinadas contra o HPV passou de 79,1% para cerca de 86,1%. No mesmo intervalo, a adesão entre meninos da mesma faixa etária saltou de 41,1% para 74,5%. Os dados colocam o país mais próximo das metas globais de eliminação de doenças evitáveis associadas ao vírus, responsável por diversos tipos de câncer, incluindo os de colo do útero, garganta, ânus e pênis.
O Unicef atribui o aumento à adoção de campanhas extramuros, que levam as doses diretamente aos ambientes frequentados pelo público-alvo. A vacinação em escolas, principal eixo da ação, reduz barreiras logísticas, alcança grupos historicamente subimunizados e facilita o cumprimento do esquema de duas doses, indicado antes do início da vida sexual.
Semana de Vacinação nas Escolas
A edição 2024 da Semana de Vacinação nas Escolas segue até 30 de abril e mobiliza equipes de saúde em todo o território nacional. A iniciativa integra o calendário oficial do Ministério da Saúde desde 2014, quando foi lançada com foco em meninas de 11 a 13 anos. Ao longo da última década, o programa avançou para englobar meninos e meninas de nove a 14 anos e, mais recentemente, abriu uma janela de oportunidade para jovens de 15 a 19 anos, que poderão se vacinar até 30 de junho de 2026.
Segundo o Unicef, a descentralização é decisiva para o sucesso da campanha. Ao deslocar profissionais, insumos e registros para dentro das instituições de ensino, o governo aumenta a capilaridade da rede de imunização, evita perdas de doses por vencimento e fortalece a confiança de pais e responsáveis.
Combate à desinformação
Além da logística, a estratégia nacional contempla ações de comunicação direcionadas a estudantes, famílias e educadores. Materiais informativos, rodas de conversa e orientações individuais buscam esclarecer dúvidas sobre a segurança e a eficácia dos imunizantes, contrapor boatos e estimular a adesão ao calendário. O Unicef ressalta que o engajamento de professores e gestores escolares é fundamental para garantir que mensagens corretas circulem em espaços presenciais e digitais.
O órgão também destaca a necessidade de monitoramento contínuo dos índices de cobertura. Apesar dos ganhos recentes, quedas pontuais em outros anos demonstram que interrupções no esforço de vacinação podem abrir caminho para o ressurgimento de doenças controladas.
Modelo replicável para outras vacinas
A bem-sucedida experiência com o HPV serve de exemplo para campanhas destinadas a combater enfermidades como sarampo, poliomielite e influenza. O SUS vem ampliando a chamada “vacinação extramuro” para alcançar bebês, crianças, gestantes e idosos em creches, abrigos, centros comunitários e domicílios. O objetivo é recuperar coberturas que caíram durante a pandemia de Covid-19 e consolidar a cultura da prevenção.
Imagem: Internet
Em paralelo, governos estaduais e municipais adotam sistemas de busca ativa que cruzam dados escolares, registros eletrônicos de saúde e visitas de agentes comunitários para identificar não vacinados. A integração de bases de dados ajuda a direcionar recursos a localidades com menores indicadores e a planejar mutirões em períodos de maior circulação de pessoas, como o início do ano letivo.
Metas e desafios futuros
Para manter o ritmo de crescimento, o Brasil pretende atingir cobertura igual ou superior a 90% na população-alvo até 2030, alinhando-se às recomendações da Organização Mundial da Saúde. A meta requer oferta estável de doses, capacitação permanente das equipes de imunização e financiamento adequado dos sistemas estaduais e municipais.
Outro desafio é ampliar o número de adolescentes que retornam para a segunda aplicação, etapa imprescindível para completar o esquema e garantir a eficácia de longa duração. O Ministério da Saúde estuda expandir lembretes por SMS, aplicativos de celular e registros digitais acessíveis às famílias para aumentar as taxas de retorno.
Embora o cenário atual seja considerado positivo por organismos internacionais, o Unicef reforça que a consolidação dos avanços depende de continuidade política, engajamento social e manutenção de campanhas informativas. A entidade conclui que a proteção da próxima geração está diretamente ligada à capacidade do país de manter ações coordenadas, acessíveis e baseadas em evidências.
Crédito da imagem: UNICEF/Luiz Marques




