São Paulo passa a vacinar contra a dengue todos os profissionais de saúde e pessoas de 59 anos

Radar da Saúde

A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo iniciou, nesta segunda-feira (4), uma nova etapa da campanha de imunização contra a dengue e passou a oferecer a vacina a todos os profissionais de saúde e a pessoas com 59 anos. Até então, o atendimento estava restrito a trabalhadores da atenção primária e a adolescentes entre 10 e 14 anos. Com a ampliação, o município busca acelerar a proteção de grupos mais expostos e, assim, reduzir internações e mortes pela doença.

O imunizante aplicado em profissionais de saúde e em adultos de 59 anos é o Butantan-DV, produzido pelo Instituto Butantan. Para os adolescentes, permanece o esquema de duas doses do QDenga, fabricado por laboratório distinto. Segundo a secretaria, não há mudança no intervalo entre as aplicações direcionadas ao público de 10 a 14 anos.

A vacinação é realizada de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da capital. Também é possível receber a dose nas Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs) integradas às UBSs no mesmo horário e, ainda, aos sábados e feriados. Os locais seguem o calendário municipal de funcionamento, e a pasta orienta que a população leve documento com foto e, quando possível, a carteirinha de vacinação.

Ao anunciar a medida, a Coordenadora de Vigilância em Saúde da cidade, Mariana Araújo, reforçou que imunizar profissionais de saúde é estratégico porque esses trabalhadores enfrentam maior risco de exposição durante surtos. Para ela, ampliar o acesso ao imunizante contribui diretamente para a queda de casos graves e, consequentemente, de óbitos.

Desde o início da oferta da vacina aos trabalhadores da atenção primária, em 9 de fevereiro, foram aplicadas 17.835 doses desse grupo, informa a secretaria. Entre os adolescentes, o balanço parcial aponta 930.771 doses administradas, das quais 567.572 correspondem à primeira aplicação e 363.199 à segunda. A pasta considera os números positivos, mas ressalta que o avanço da cobertura depende da procura contínua pelos postos.

O Instituto Butantan divulgou dados de acompanhamento clínico indicando que nenhum profissional de saúde vacinado apresentou sintomas graves ou precisou de internação por dengue. A partir das ocorrências registradas, o centro de pesquisa calculou eficácia de 80,5% do Butantan-DV contra quadros graves ou infecções com sinais de alerta. Os resultados seguem sendo monitorados, conforme protocolos de vigilância pós-licenciamento.

Em março, o mesmo instituto publicou informações que apontam a manutenção da eficácia do imunizante por pelo menos cinco anos após a aplicação. O dado foi obtido em estudos de acompanhamento de longo prazo e reforça, segundo os pesquisadores, o potencial da vacina para integrar calendários permanentes de imunização em áreas endêmicas.

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Imagem: Radar da Saúde

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso do Butantan-DV em novembro do ano passado. A autorização se baseou em ensaios clínicos que demonstraram capacidade de resposta imune significativa contra os quatro sorotipos do vírus. A liberação permitiu que estados e municípios negociassem a inclusão do imunizante em campanhas públicas, especialmente em períodos de alta transmissão.

Com a expansão do público elegível, a Secretaria Municipal da Saúde reitera que pessoas que pertençam aos novos grupos devem procurar a unidade mais próxima o quanto antes, principalmente diante da circulação simultânea de diferentes sorotipos na capital. A pasta também recomenda a manutenção de medidas de prevenção, como eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti, limpeza de calhas e caixas-d’água e uso de repelentes quando necessário.

Por fim, o órgão recorda que a vacinação contra a dengue é complementar às ações de controle vetorial e de vigilância epidemiológica. A expectativa é ampliar gradualmente a oferta de doses conforme o recebimento de novos lotes do Butantan-DV e a conclusão do esquema de duas aplicações para adolescentes de 10 a 14 anos.

Crédito da imagem: Paulo Pinto/Agência Brasil

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