A pouco mais de dois anos do início da Copa do Mundo de 2026, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) recomenda que todos os países do continente atinjam, o quanto antes, cobertura vacinal homogênea de 95% contra o sarampo. O torneio — que terá jogos no Canadá, Estados Unidos e México — deve atrair milhões de torcedores, aumentando o risco de disseminação de um vírus capaz de infectar até 18 pessoas a partir de um único caso.
O alerta foi feito pelo diretor da Opas, Jarbas Barbosa, durante entrevista em Washington. Segundo ele, o Canadá perdeu, em 2024, o certificado de eliminação do sarampo que havia recuperado no início do ano, ao não conseguir interromper a cadeia de transmissão por um período mínimo de 12 meses. “A região precisa de vigilância rigorosa e imunização elevada para evitar novos surtos”, afirmou.
As Américas receberam o reconhecimento de área livre de sarampo em 2016, mas o documento foi revogado em 2019 após a reintrodução do vírus. A certificação chegou a ser restabelecida em 2024, porém voltou a ser suspensa porque a circulação sustentada do agente infeccioso reapareceu em território canadense. A situação serve de sinal de alerta para outras nações envolvidas diretamente na Copa.
Estados Unidos e México, que também sediarão partidas, enfrentam surtos em andamento. Além deles, Bolívia e Guatemala constam na lista de países monitorados de perto pela Opas. Para Barbosa, o fluxo intenso de turistas durante o evento esportivo amplia a probabilidade de importação de casos vindos da Europa, Ásia ou África, regiões onde a doença continua a circular com força.
Especialistas explicam que, por ser extremamente contagioso, o sarampo provoca rápida propagação em ambientes com pessoas não imunizadas. Aglomerações típicas de grandes competições esportivas funcionam como catalisadores, permitindo que o vírus encontre “brechas” em comunidades com baixa cobertura vacinal. Sem a barreira de 95% preconizada, um caso importado pode desencadear surtos de grandes proporções em bairros, cidades ou até estados inteiros.
A recomendação da Opas inclui duas frentes principais. A primeira é reforçar as campanhas de vacinação para atingir a meta de forma equitativa em todas as localidades, evitando bolsões de subimunização. A segunda é manter vigilância epidemiológica ativa, capaz de detectar rapidamente qualquer caso suspeito e interromper cadeias de transmissão por meio de isolamento, bloqueio vacinal e rastreamento de contatos.
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Autoridades sanitárias destacam que a cobertura adequada protege não apenas a população residente, mas também visitantes temporários. Torcedores que planejam viajar para acompanhar as partidas em 2026 são aconselhados a verificar o histórico de imunização com antecedência. O esquema padrão envolve duas doses da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), administradas a partir dos 12 meses de idade, com intervalo mínimo de quatro semanas entre elas.
Enquanto os estádios no Canadá, Estados Unidos e México passam por obras e adequações para receber o maior espetáculo do futebol, ministérios da Saúde da região correm contra o relógio para preencher lacunas vacinais. A Opas reitera que, sem cobertura ampla e fiscalização constante, a meta de manter as Américas livres de sarampo permanece ameaçada. A responsabilidade, segundo o órgão, é compartilhada: envolve governos, profissionais de saúde e a população que pretende lotar as arquibancadas em 2026.
Crédito da imagem: Unicef/Nahom Tesfaye




