A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou nesta terça-feira, 14, que a operação de desembarque e repatriação de todos os passageiros do navio de cruzeiro MV Hondius, atracado em Tenerife, Espanha, foi finalizada. A embarcação, que registrou um surto de hantavírus durante a viagem, parte agora em direção aos Países Baixos sem passageiros a bordo.
De acordo com a agência, 11 casos foram notificados até o momento, três deles fatais. Nove infecções tiveram confirmação laboratorial para a variante Andes do hantavírus; as outras duas permanecem sem diagnóstico definitivo. Todos os registros envolvem pessoas que estavam no navio — passageiros ou tripulantes.
Monitoramento até 21 de junho
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou que não há evidências de que o episódio configure o início de um surto maior. Apesar disso, ele reconheceu a possibilidade de novos diagnósticos nas próximas semanas, pois o período de incubação do vírus pode se estender por até 42 dias. O prazo estabelecido leva a um acompanhamento contínuo até 21 de junho.
A agência recomenda que cada país para o qual os viajantes foram repatriados assegure o monitoramento diário de sintomas em local de quarentena designado ou no domicílio. Todos os casos suspeitos ou confirmados permanecem isolados, sob supervisão médica rigorosa, medida considerada essencial para reduzir qualquer risco de transmissão futura.
Operação internacional
No total, 147 viajantes de 23 nacionalidades ficaram retidos por semanas no MV Hondius até a conclusão da evacuação. Tedros relatou que alguns passageiros sofreram impactos psicológicos e destacou o direito de todos a serem tratados com dignidade e compaixão. Segundo ele, propostas de manter o grupo confinado no navio durante todo o período de quarentena foram avaliadas como desnecessárias e incompatíveis com o Regulamento Internacional de Saúde, que proíbe reter pessoas no mar quando é possível gerenciar o risco em terra firme.
A OMS agradeceu ao governo de Cabo Verde, que autorizou a evacuação imediata de três passageiros sintomáticos, e à Espanha, responsável pelo desembarque seguro dos demais viajantes em Tenerife. Um especialista da organização embarcou no navio ainda em Cabo Verde, acompanhado por dois médicos dos Países Baixos e por um profissional do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças, para coordenar as ações de saúde pública.
Após avaliação conjunta, a agência mantém a classificação de risco global como baixa. O monitoramento, entretanto, continuará até que o período de incubação seja encerrado para todos os contactantes.
Características do vírus Andes
Os hantavírus formam um grupo de patógenos transmitidos por roedores que podem provocar doenças graves em humanos. A variante Andes, identificada no surto do MV Hondius, é a única documentada com capacidade de transmissão entre pessoas, embora a principal via continue sendo o contato direto com roedores infectados ou com seus excretas.
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Não existe tratamento antiviral específico para infecções por hantavírus. O manejo clínico concentra-se em cuidados de suporte intensivo, monitoramento constante e intervenção precoce frente a complicações respiratórias, cardíacas e renais. A OMS reforça que o atendimento imediato aprimora as chances de sobrevida.
Próximos passos
Com o cruzeiro seguindo para os Países Baixos vazio, as autoridades de saúde dos 23 países envolvidos assumem agora a responsabilidade de concluir o período de observação dos repatriados. Qualquer viajante que apresente febre, mialgia, dificuldade respiratória ou outros sintomas compatíveis deverá ser encaminhado sem demora a serviços especializados.
Tedros ressaltou que “vírus não respeitam fronteiras” e reiterou o apelo à cooperação internacional. Segundo ele, compartilhar dados clínicos e resultados de testes de forma ágil continuará sendo decisivo para identificar possíveis novos casos e prevenir a propagação.
Embora a situação permaneça sob controle, a OMS afirma que atualizará suas recomendações caso surjam evidências de aumento substancial de transmissibilidade ou de expansão geográfica dos registros.
Crédito da imagem: CDC




