OMS declara emergência internacional após novo surto de ebola nos Congos e em Uganda

Autoridades da República Democrática do Congo (RDC) confirmaram, em 15 de maio, o 17º surto de ebola registrado no país. A notificação ocorreu após a análise de 13 amostras de sangue coletadas no distrito de Rwampara, na província de Ituri. O Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica de Kinshasa identificou o vírus Bundibugyo em oito dessas amostras, esclarecendo a origem de um episódio de alta mortalidade que já afetava o município de Mongbwalu desde o início do mês.

No mesmo dia, o Ministério da Saúde de Uganda informou a detecção de um caso importado do vírus Bundibugyo: um cidadão congolês que faleceu em Kampala. Diante da confirmação em dois países vizinhos, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, classificou o cenário como emergência de saúde pública de importância internacional.

Vírus Bundibugyo e histórico de ebola

O ebola integra o gênero Orthoebolavirus, da família Filoviridae. Seis espécies são conhecidas, mas apenas Ebola, Sudão e Bundibugyo provocaram grandes surtos. Descoberto em 1976, o vírus é responsável por episódios recorrentes na África Central e Ocidental, sendo o maior deles o de 2014-2016 na África Ocidental, que superou em casos e óbitos todos os registros anteriores somados.

A taxa média de letalidade do ebola é de 50%, com variações que alcançaram 90% em alguns surtos. A transmissão envolve passagem do agente de animais silvestres — como morcegos frugívoros, porcos-espinhos e primatas não humanos — para seres humanos, seguida de contágio de pessoa para pessoa por contato direto com sangue, secreções, órgãos ou fluidos corporais. Superfícies e objetos contaminados também servem de via de disseminação.

Sintomas e diagnóstico

O período de incubação varia de dois a 21 dias. Uma pessoa não transmite o vírus até apresentar sintomas, que surgem de forma súbita com febre, fadiga, mialgia, dor de cabeça e dor de garganta. Na sequência, podem ocorrer vômito, diarreia, dor abdominal, erupções cutâneas e sinais de comprometimento renal ou hepático; hemorragias internas e externas aparecem com menor frequência.

Malária, febre tifoide e meningite apresentam manifestações clínicas semelhantes, o que exige confirmação laboratorial. Diversos testes foram desenvolvidos para detectar o vírus e são aplicados em laboratórios de referência.

Tratamento disponível

O manejo clínico recomendado inclui reidratação precoce, por via oral ou intravenosa, e tratamento de sintomas. Para a doença provocada pela espécie Ebola (Ebola vírus Zaire), a OMS indica anticorpos monoclonais específicos, como Ansuvimab e Inmazeb. Duas vacinas — Ervebo e o regime Zabdeno + Mvabea — têm aprovação para o mesmo subtipo, sendo a primeira utilizada em respostas a surtos.

Para infecções causadas pelo vírus Bundibugyo, até o momento não há terapias ou imunizantes autorizados, o que reforça a importância de medidas de contenção não farmacológicas.

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Imagem: Radar da Saúde

Medidas de controle e prevenção

Segundo a OMS, o êxito na interrupção da transmissão depende da combinação de assistência clínica adequada, vigilância epidemiológica, rastreamento de contatos, confirmação laboratorial, prevenção e controle de infecções em unidades de saúde, sepultamentos seguros e mobilização comunitária.

Nos atuais surtos, equipes de resposta rápida foram mobilizadas para reforçar vigilância, garantir suprimentos médicos, instalar centros de tratamento e promover a participação das comunidades afetadas. Orientações incluem evitar contato físico com casos suspeitos ou confirmados, abster-se de manusear corpos sem equipamento de proteção, lavar as mãos regularmente e cozinhar completamente produtos de origem animal.

Grupos em maior risco

Profissionais de saúde, cuidadores, familiares e pessoas que participam de rituais funerários com contato direto com vítimas representam as categorias mais expostas. Aconselha-se que, após qualquer contato físico com indivíduo infectado, o potencial exposto busque serviços de saúde locais. Caso classificado como contato, permanecerá sob monitoramento diário de temperatura e sintomas por 21 dias, período máximo de incubação do vírus.

Recomendações para viagens

A OMS não estabelece restrições comerciais nem de circulação a áreas afetadas. No entanto, deslocamentos de pessoas que tiveram contato próximo com casos de ebola devem ser minimizados ou adiados. Viagens inevitáveis precisam ser comunicadas às autoridades de saúde pública para acompanhamento no destino.

Enquanto pesquisas avançam em busca de terapias e vacinas voltadas ao vírus Bundibugyo, os esforços se concentram em vigilância intensiva, cuidados hospitalares especializados e engajamento da população para reduzir o impacto da doença na RDC, em Uganda e em países vizinhos.

Crédito da imagem: REUTERS/Arlette Bashizi

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