Raoni Metuktire, de 93 anos, liderança do povo Kayapó, continua apresentando melhora clínica após a cirurgia realizada para correção de uma obstrução intestinal. Segundo boletim médico divulgado nesta quinta-feira (25), o quadro do paciente é considerado estável e a evolução ocorre dentro do esperado para o período pós-operatório. O cacique permanece internado na capital paulista, sob acompanhamento de especialistas do Hospital São Paulo, vinculado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
De acordo com a equipe responsável, Raoni não apresenta febre, respira sem auxílio de aparelhos e se alimenta normalmente. O líder indígena também realiza exercícios respiratórios orientados pelo serviço de fisioterapia, medida que ajuda a prevenir complicações pulmonares frequentes em pacientes submetidos a procedimentos abdominais. As informações oficiais destacam que, até o momento, não houve intercorrências significativas nem necessidade de intervenções adicionais.
Linha do tempo da internação
O primeiro atendimento ocorreu em 15 de junho, quando o cacique deu entrada em estado grave no Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop (MT). Na ocasião, apresentava sinais compatíveis com obstrução intestinal alta, condição que exige abordagem médica imediata. Após quatro dias de tratamento intensivo e estabilização dos parâmetros vitais, os profissionais envolvidos optaram pela transferência do paciente para São Paulo, onde há estrutura especializada para atendimento de saúde indígena.
O deslocamento, realizado em 19 de junho, ocorreu sem intercorrências. Ao chegar à capital, Raoni foi admitido no ambulatório dedicado à população indígena do Hospital São Paulo, local equipado para receber casos de maior complexidade clínica. Exames diagnósticos confirmaram a obstrução intestinal e também identificaram quadro de pneumonia aspirativa, infecção pulmonar resultante da entrada de conteúdo gástrico ou alimentício nas vias respiratórias.
No dia 20 de junho, a equipe multidisciplinar decidiu pela intervenção cirúrgica para desobstruir o trânsito intestinal. O procedimento transcorreu dentro das expectativas e possibilitou a retirada do bloqueio que comprometia o funcionamento do sistema digestivo. Após a cirurgia, o líder Kayapó permaneceu em observação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por 72 horas, período em que recebeu suporte monitorado e medicamentos para controle da dor e prevenção de infecções.
A boa resposta ao tratamento permitiu a transferência da UTI para um quarto de enfermaria em 23 de junho. Desde então, os profissionais mantêm vigilância constante, monitorando sinais vitais, função renal, padrão respiratório e evolução da ferida operatória. Também foi iniciado protocolo de reabilitação leve, incluindo caminhadas curtas no corredor da unidade, conforme tolerância individual, além dos exercícios respiratórios já mencionados.
Imagem: Radar da Saúde 19
Apesar da recuperação considerada satisfatória, os médicos ainda não definiram data para alta hospitalar. O boletim enfatiza que pacientes acima de 90 anos requerem acompanhamento prolongado, devido à possibilidade de complicações tardias, sobretudo em virtude da idade avançada e de eventuais comorbidades. Assim, a permanência no hospital segue sem prazo determinado, condicionada à manutenção da estabilidade clínica e à ausência de novos eventos adversos.
A instituição informou que boletins seguirão sendo emitidos sempre que houver alterações relevantes no quadro de saúde do cacique. Até o momento, o líder indígena continua lúcido, participativo e colaborando com as orientações da equipe de enfermagem e fisioterapia. Familiares e representantes do povo Kayapó acompanham a evolução presencialmente, em esquema de visitas restritas, de acordo com as normas internas do hospital.
Crédito da imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil




