O líder indígena Raoni Metuktire, referência internacional na defesa dos povos originários, permanece internado no Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde apresenta quadro clínico estável depois de ter sofrido uma hemorragia digestiva alta identificada em 29 de junho. Segundo o boletim divulgado pela instituição na tarde de 30 de junho, o sangramento — localizado no estômago e no duodeno — foi controlado logo após a realização de uma endoscopia terapêutica.
De acordo com as informações oficiais, o paciente mantém estabilidade hemodinâmica, não apresenta febre e se recupera com auxílio de cateter de oxigênio para garantir conforto respiratório. Apesar da recuperação satisfatória, os médicos registram evolução com distensão abdominal, condição que segue monitorada pela equipe multidisciplinar.
A internação do cacique Raoni teve início em 15 de junho, no Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop, Mato Grosso. Na ocasião, ele deu entrada em estado grave, apresentando quadro de obstrução intestinal alta associado a pneumonia aspirativa. Após quatro dias de tratamento intensivo para estabilização clínica, os profissionais responsáveis autorizaram a transferência para a capital paulista.
Raoni chegou ao Hospital São Paulo em 19 de junho. No dia seguinte, 20 de junho, foi submetido a cirurgia para correção da obstrução intestinal. O procedimento transcorreu sem intercorrências significativas e, desde então, o paciente se encontra em processo de recuperação pós-operatória, acompanhado por especialistas em saúde indígena, cirurgia geral, gastroenterologia e pneumologia.
O episódio de hemorragia digestiva registrado em 29 de junho foi considerado uma complicação aguda do sistema gastrointestinal. Durante a endoscopia, a equipe médica identificou pontos de sangramento ativos no estômago e no duodeno, que foram prontamente tratados com técnicas endoscópicas de hemostasia. Após a intervenção, os exames laboratoriais demonstraram estabilização dos níveis de hemoglobina, sem necessidade de transfusão sanguínea adicional.
Com 500 mililitros de cristaloide e monitorização contínua de sinais vitais, o líder indígena manteve pressão arterial e frequência cardíaca dentro dos parâmetros normais ao longo das 24 horas seguintes. O boletim mais recente destaca que não há evidências de sangramento recorrente até o momento, mas reforça a necessidade de vigilância constante.
Quanto à função pulmonar, os médicos relatam melhora progressiva do quadro de pneumonia aspirativa diagnosticada na chegada a São Paulo. A administração de antibióticos de amplo espectro foi mantida conforme protocolos hospitalares, e as radiografias de tórax mostram redução de infiltrados bilaterais. O uso do cateter nasal de oxigênio permanece indicado para aliviar o trabalho respiratório, embora o paciente apresente saturação adequada em ar ambiente.
Imagem: Radar da Saúde
No pós-operatório da cirurgia intestinal, Raoni segue dieta enteral gradual, com ajuste de volume e densidade calórica conforme tolerância. A equipe de nutrição clínica monitora parâmetros antropométricos e marcadores bioquímicos para garantir aporte energético suficiente à cicatrização tecidual. Já o serviço de fisioterapia intensifica exercícios respiratórios e mobilização precoce, com o objetivo de prevenir complicações tromboembólicas e promover deambulação segura.
O Hospital São Paulo mantém acompanhamento de profissionais especializados em saúde indígena para assegurar atendimento culturalmente sensível. Esses profissionais atuam na mediação de informações entre a equipe multiprofissional, o paciente e familiares, além de facilitar práticas de cuidado tradicionais compatíveis com o ambiente hospitalar.
Por orientação dos médicos responsáveis, ainda não há previsão de alta. Novos boletins serão divulgados conforme evolução clínica. Até lá, as visitas permanecem restritas aos familiares próximos, seguindo protocolos institucionais de controle de infecções.
Crédito da imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil




