RADAR DA SAÚDE

Campanha intensificada amplia vacinação contra sarampo e febre amarela em São Paulo

A Secretaria da Saúde de São Paulo inicia na próxima segunda-feira, 12 de janeiro, uma ação especial para reforçar a imunização contra o sarampo e a febre amarela. A estratégia, focada em pontos de grande fluxo de pessoas, será aplicada em etapas que se estendem até o Dia D marcado para 24 de janeiro.

Entre 12 e 16 de janeiro, equipes de vacinação estarão instaladas em estações de metrô, terminais de ônibus e shoppings da capital paulista. O objetivo é facilitar o acesso de quem circula diariamente por esses locais e, com isso, aumentar a cobertura vacinal em faixas etárias e grupos definidos como prioritários pelo programa estadual.

Na segunda fase, programada de 19 a 23 de janeiro, a atenção se volta para taxistas e profissionais do setor de turismo. Esse público atua em contato constante com visitantes e moradores, o que eleva a importância de manter a imunização em dia para evitar a disseminação de vírus dentro e fora do estado.

O calendário culmina no Dia D de vacinação, em 24 de janeiro, quando postos extras serão abertos e unidades básicas de saúde (UBSs) terão horário de atendimento ampliado. A data busca concentrar esforços e conscientizar a população sobre a necessidade de atualizar a caderneta de vacinas.

Para o sarampo, serão vacinados adolescentes e adultos que ainda não receberam nenhuma dose ou que estejam com o esquema incompleto. A aplicação segue as recomendações do Programa Nacional de Imunizações, que prevê duas doses para indivíduos de 12 meses a 29 anos e uma dose para quem tem entre 30 e 59 anos.

Quanto à febre amarela, a campanha foca em meninos e meninas de 9 a 14 anos, além de pessoas que residem ou circulam por áreas com registro de transmissão. Desde 2017, o Brasil adota o esquema de dose única ao longo da vida, conforme orientação da Organização Mundial da Saúde. Quem já recebeu essa dose não precisa repetir a imunização.

As vacinas contra sarampo, caxumba e rubéola (tríplice viral) permanecem disponíveis em todas as UBSs para a população de 12 meses a 59 anos. A dose contra a febre amarela pode ser tomada gratuitamente por pessoas entre 9 meses e 59 anos em qualquer serviço de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS).

A diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica da secretaria, Tatiana Lang, reforça que manter o esquema vacinal atualizado protege o indivíduo e contribui para a imunidade coletiva, essencial para bloquear possíveis cadeias de transmissão.

Em 2025, o estado de São Paulo registrou dois casos de sarampo importados, ambos em viajantes que retornaram do exterior. No mesmo período, o Ministério da Saúde confirmou 37 casos em todo o país, todos decorrentes de infecção fora do território nacional, sem evidência de circulação local do vírus.

Campanha intensificada amplia vacinação contra sarampo e febre amarela em São Paulo - Radar da Saúde 20

Imagem: Radar da Saúde 20

O sarampo é altamente contagioso: uma pessoa infectada pode transmitir o vírus a até 90% dos contatos suscetíveis. Os sintomas incluem febre acima de 38,5 °C, manchas avermelhadas, tosse, conjuntivite, coriza e mal-estar. Complicações possíveis vão de diarreia grave a pneumonia, infecções de ouvido, encefalite e, em casos extremos, óbito.

A febre amarela, por sua vez, é uma enfermidade febril aguda transmitida pela picada de mosquitos silvestres em áreas de mata. Não existe transmissão direta entre pessoas. Dor de cabeça intensa, calafrios, dores musculares, náusea e fraqueza compõem os sintomas iniciais. A identificação de macacos mortos é considerada alerta para circulação do vírus e deve ser comunicada às equipes de saúde.

A vacinação em dose única fornece proteção eficaz e duradoura contra a febre amarela. A adoção desse esquema visa simplificar a adesão e garantir a imunidade de comunidades expostas ao risco, sobretudo nas regiões que registraram epizootias ou casos humanos nos últimos anos.

A intensificação da campanha em São Paulo ocorre em meio a esforços nacionais de prevenção de surtos. As autoridades sanitárias salientam que, além da imunização, a detecção precoce de casos suspeitos, a investigação de óbitos de macacos e o monitoramento ambiental de mosquitos formam um conjunto de ações indispensável para reduzir a circulação viral.

Durante o período da campanha, a população pode obter informações sobre locais e horários de vacinação pelos canais oficiais da Secretaria da Saúde e das prefeituras. É recomendável levar documento de identificação e carteira de vacinação, permitindo que os profissionais verifiquem o histórico e a necessidade de atualização de doses.

A expectativa da secretaria é ampliar significativamente a cobertura em curto prazo e, assim, diminuir o risco de introdução ou reintrodução desses vírus no estado. A adesão de adolescentes, adultos jovens e trabalhadores que atuam com público é vista como passo fundamental para conter possíveis cadeias de transmissão e preservar a saúde coletiva.

Crédito da imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo

ESCRITO POR CASSIA FREITAS

Cássia Freitas é formada em Administração de Empresas, com especialização em Administração Hospitalar. Criadora do blog Mais Saúde 10, compartilha informações práticas e confiáveis sobre saúde, bem-estar e qualidade de vida. Apaixonada por ajudar pessoas a cuidarem melhor de si mesmas e de suas famílias, combina vivências pessoais com conteúdo útil e acessível para o dia a dia.

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