Inteligência artificial da Ingenix mira maior previsibilidade em ensaios clínicos
A Ingenix, startup de tecnologia em saúde fundada na Polônia por Piotr Surma e Adam Dankiewicz, está desenvolvendo um sistema de inteligência artificial projetado para apoiar a indústria farmacêutica na fase de ensaios clínicos. O recurso utiliza modelos generativos para integrar grandes volumes de dados biológicos e, assim, aprimorar a previsão de segurança e eficácia de novos medicamentos.
A iniciativa conta com o apoio da Corporação Financeira Internacional (IFC), braço do Banco Mundial dedicado ao fomento do setor privado em mercados emergentes. A entidade forneceu assistência técnica e estratégica por meio de sua abordagem Upstream, voltada a negócios em estágio inicial com potencial de impacto global.
De acordo com os fundadores, o sistema combina arquitetura multimodal e multiescala, permitindo analisar informações que se estendem do nível molecular a populações inteiras. Esse formato viabiliza a identificação de padrões e a simulação de resultados clínicos com base em dados já armazenados em biobancos, sem substituir as etapas de testes em humanos. O objetivo principal é reduzir incertezas e otimizar processos de decisão ao longo do desenvolvimento de fármacos.
A proposta surge diante de um cenário em que a introdução de um novo medicamento pode exigir investimentos superiores a US$ 50 bilhões anuais em ensaios clínicos, conforme estimativa de Piotr Surma. Além dos altos custos, o prazo até a aprovação regulatória costuma variar de 10 a 15 anos, enquanto grande parte das moléculas testadas não chega ao mercado. Esse nível de risco influencia diretamente os preços finais e limita o acesso a tratamentos em países de renda baixa e média.
Com a solução de IA, a Ingenix pretende oferecer às farmacêuticas previsões mais precisas sobre os desfechos de cada fase do ensaio, possibilitando ajustes antecipados nos protocolos ou mesmo a interrupção de projetos com menor probabilidade de sucesso. A expectativa é encurtar cronogramas, reduzir gastos e elevar as chances de aprovação, sem comprometer a segurança dos participantes.
Antes de fundar a Ingenix, Surma e Dankiewicz lideraram a Applica, empresa especializada em modelos avançados de inteligência artificial adquirida pela Snowflake em 2022. O histórico na área tecnológica contribuiu para a concepção de um produto centrado em algoritmos robustos e na integração de conhecimentos de biologia, matemática e ciência de dados.
O suporte da IFC incluiu a validação técnica da plataforma, o desenho de um modelo de negócios escalável e a conexão da startup com potenciais parceiros estratégicos. Um dos focos da entidade é facilitar a expansão da solução para mercados emergentes, onde ensaios clínicos mais rápidos e menos onerosos podem ter impacto significativo na disponibilidade de medicamentos.
Imagem: Internet
A iniciativa da Ingenix se alinha a uma estratégia mais ampla do Grupo Banco Mundial, que defende o uso responsável da inteligência artificial para ampliar eficiência, qualidade e cobertura dos serviços de saúde em contextos com recursos limitados. Representantes da instituição afirmam que a digitalização pode acelerar a inovação farmacêutica e, ao mesmo tempo, contribuir para a redução de desigualdades no acesso a tratamentos.
Embora o sistema ainda esteja em fase de desenvolvimento, os criadores reforçam que o modelo não elimina etapas regulamentares nem substitui a avaliação clínica tradicional. A tecnologia foi pensada para atuar como ferramenta de suporte, fornecendo previsões probabilísticas e relatórios analíticos que orientam pesquisadores e tomadores de decisão.
Entre as próximas metas da Ingenix estão ampliar o banco de dados biológicos utilizado pelo algoritmo, coletar evidências adicionais de eficácia preditiva e estabelecer parcerias com centros de pesquisa e laboratórios farmacêuticos. A startup também busca adaptar suas soluções às particularidades regulatórias de diferentes regiões, de forma a facilitar a adoção global do sistema.
Com a possibilidade de reduzir custos e prazos dos ensaios clínicos, a empresa avalia que sua plataforma pode influenciar o preço final dos medicamentos e acelerar a chegada de terapias a populações hoje desassistidas. Para a IFC, projetos desse tipo reforçam a importância de investir em saúde digital como caminho para tornar sistemas de saúde mais acessíveis e eficientes nos próximos anos.
Crédito da imagem: Ingenix/Divulgação
Cássia Freitas é formada em Administração de Empresas, com especialização em Administração Hospitalar. Criadora do blog Mais Saúde 10, compartilha informações práticas e confiáveis sobre saúde, bem-estar e qualidade de vida. Apaixonada por ajudar pessoas a cuidarem melhor de si mesmas e de suas famílias, combina vivências pessoais com conteúdo útil e acessível para o dia a dia.
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