Levantamento revela os 100 hospitais públicos de maior desempenho no Brasil
Um levantamento nacional identificou os 100 hospitais públicos considerados de maior desempenho no país, com base em critérios assistenciais e de gestão. O estudo, conduzido pelo Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross) em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), Instituto Ética Saúde (IES), Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) e Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), antecede a entrega do Prêmio Melhores Hospitais Públicos do Brasil, prevista para maio deste ano.
Entre os cem estabelecimentos avaliados, 30 estão localizados no estado de São Paulo, o que representa 30 % do total. Goiás aparece em seguida, com 10 instituições (10 %), e o Pará ocupa a terceira posição, com sete (7 %). Também figuram na lista Santa Catarina (7 %), Pernambuco (6 %), Rio de Janeiro (6 %), Paraná (5 %), Amazonas (3 %), Bahia (3 %), Distrito Federal (3 %), Maranhão (3 %), Minas Gerais (3 %), Ceará (2 %), Espírito Santo (2 %), Mato Grosso do Sul (2 %), Rio Grande do Sul (2 %), Tocantins (2 %), Piauí (1 %), Rio Grande do Norte (1 %) e Sergipe (1 %).
De acordo com os organizadores, a concentração paulista decorre do maior número absoluto e proporcional de hospitais que atendem exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Das 30 unidades situadas no estado, 17 são administradas pelo governo estadual e 13 pertencem às redes municipais.
A etapa de classificação analisou informações referentes ao período de agosto de 2024 a julho de 2025. Todos os hospitais avaliados possuem mais de 50 leitos, registram produção no Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do Ministério da Saúde e prestam assistência integralmente custeada pelo SUS. Foram incluídos hospitais gerais – adultos ou pediátricos – e estabelecimentos especializados em ortopedia, oncologia, cardiologia ou maternidade. Hospitais psiquiátricos e de longa permanência ficaram fora do escopo.
Para compor o ranking, a pesquisa considerou quatro indicadores principais. O primeiro é a acreditação hospitalar, processo voluntário de certificação que atesta a qualidade dos serviços de saúde. O segundo leva em conta as taxas de ocupação, que apontam a utilização efetiva dos leitos disponíveis. Já o terceiro analisa a mortalidade hospitalar, indicador direto da segurança do paciente. Por fim, foi observado o tempo médio de permanência de cada internação, parâmetro associado à eficiência assistencial e à capacidade de giro de leitos.
Além desses critérios, a disponibilidade de leitos de terapia intensiva teve peso relevante, pois reflete a prontidão das unidades para lidar com casos de maior complexidade. Segundo o coordenador do estudo, médico sanitarista Renilson Rehem, a divulgação da lista funciona como um estímulo ao aprimoramento contínuo. Na avaliação dele, valorizar exemplos de sucesso contribui para fortalecer a rede pública e para fomentar o desenvolvimento do SUS.
A premiação programada para maio reconhecerá, em cerimônia específica, os hospitais que obtiveram melhor pontuação nos indicadores analisados. Embora o estudo apresente um ranking nacional, os responsáveis enfatizam que a iniciativa busca, sobretudo, oferecer visibilidade a modelos de gestão e práticas assistenciais reconhecidas por sua efetividade, independentemente da posição ocupada na classificação.
Outro ponto salientado pelos organizadores é a diversidade regional observada. Apesar da liderança de São Paulo, 19 unidades fora do estado figuram na relação dos 30 mais bem colocados, evidenciando desempenho expressivo em diferentes partes do país. Para Rehem, esse cenário demonstra que as condições para excelência hospitalar podem ser reproduzidas em contextos variados, desde que exista comprometimento com padrões de qualidade e acompanhamento permanente de indicadores.
Imagem: Radar da saúde 23
Os resultados servem ainda de referência para gestores estaduais e municipais, que podem comparar seus indicadores internos com os das instituições incluídas no estudo. A expectativa é que a publicação do levantamento gere trocas de experiências, cooperação técnica e eventual adoção de métodos de gestão que se mostraram eficientes em outras localidades.
As cinco entidades responsáveis pelo trabalho informaram que pretendem manter a premiação em caráter anual. A continuidade permitirá, segundo elas, acompanhar a evolução dos indicadores ao longo do tempo e identificar tendências de melhoria ou de necessidade de intervenção. A base de dados, construída a partir do SIH e de fontes secundárias oficiais, será atualizada a cada ciclo, preservando a comparabilidade entre edições.
Embora o foco esteja nos hospitais que atendem apenas pacientes do SUS, os organizadores não descartam, em etapas futuras, analisar categorias específicas, como unidades mistas ou de perfis assistenciais distintos. No entanto, ressaltam que a metodologia deverá ser ajustada para preservar a equivalência entre realidades diferentes.
O Prêmio Melhores Hospitais Públicos do Brasil integra um conjunto de iniciativas voltadas à valorização da saúde pública. Ao colocar em evidência resultados positivos, as entidades promotoras buscam contrapor a percepção predominante de que a rede pública enfrenta apenas desafios, destacando experiências bem-sucedidas que podem servir de inspiração para outras unidades em todo o território nacional.
Crédito da imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil
Cássia Freitas é formada em Administração de Empresas, com especialização em Administração Hospitalar. Criadora do blog Mais Saúde 10, compartilha informações práticas e confiáveis sobre saúde, bem-estar e qualidade de vida. Apaixonada por ajudar pessoas a cuidarem melhor de si mesmas e de suas famílias, combina vivências pessoais com conteúdo útil e acessível para o dia a dia.
Combate ao câncer do colo do útero depende de vacinação, rastreamento e comunicação ampla, avalia pesquisadora
O mundo dispõe hoje de vacinas, testes de detecção e tratamentos capazes de tornar o câncer do colo do útero o primeiro tumor eliminável da história, afirmou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, em declaração feita nesta terça-feira. Apesar dos avanços tecnológicos, a doença provoca cerca de 300 mil óbitos por […]
Atendimentos por problemas relacionados ao calor sobem no Rio de Janeiro no início de 2026
As altas temperaturas registradas no estado do Rio de Janeiro nas duas primeiras semanas de 2026 provocaram uma procura crescente por unidades de saúde. Levantamento da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) e da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) mostra que o número de pacientes atendidos com sintomas ligados ao calor supera o observado em […]
Opas alerta para avanço simultâneo da gripe sazonal e do VSR nas Américas
A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) emitiu um novo alerta epidemiológico recomendando que os países do continente intensifiquem a vigilância e reforcem a capacidade dos serviços de saúde diante da circulação paralela da gripe sazonal e do vírus sincicial respiratório (VSR). O comunicado atualiza aviso anterior, publicado em 4 de dezembro de 2025, que já […]