RADAR DA SAÚDE

OMS alerta para nova variante da gripe que se espalha por 30 países

Uma nova variante do vírus da influenza A (H3N2), identificada como J.2.4.1 ou subclado K, ganhou espaço rapidamente e já foi detectada em mais de 30 países, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O surgimento e a expansão do vírus ocorrem em um momento em que a temporada de gripe no Hemisfério Norte começou antes do habitual, o que acende um alerta sobre o potencial de pressão extra nos sistemas de saúde.

De acordo com Wenqing Zhang, chefe da Unidade de Ameaças Respiratórias da OMS, o primeiro registro da variante aconteceu em agosto, na Austrália e na Nova Zelândia. Desde então, laboratórios de vigilância ao redor do mundo confirmaram a circulação do subclado em dezenas de nações. Apesar da velocidade de disseminação, os dados reunidos até o momento não apontam para um aumento na gravidade clínica dos casos causados por essa mutação do vírus.

Especialistas destacam que os vírus influenza sofrem mutações constantes, fenômeno que exige monitoramento frequente e ajustes regulares na composição das vacinas. Para isso, a OMS recorre ao Sistema Global de Vigilância e Resposta à Influenza (GISRS), criado em 1952 e atualmente formado por centros de controle de gripe em 130 países, além de uma dúzia de laboratórios de referência. Duas vezes por ano, o grupo de especialistas revisa as informações epidemiológicas e define a formulação recomendada dos imunizantes sazonais.

A variante J.2.4.1 não integra a composição das vacinas já distribuídas nesta temporada no Hemisfério Norte. No entanto, análises preliminares indicam que os imunizantes existentes continuam oferecendo proteção contra formas graves da doença e reduzem a probabilidade de hospitalização. Ainda assim, Zhang reiterou que a vacinação segue como a ferramenta mais eficaz para diminuir complicações e mortes causadas pelo vírus.

Outro ponto de atenção apresentado pela OMS é a possível saída dos Estados Unidos da agência. Anunciada em janeiro de 2025, a decisão tem previsão de entrar em vigor em 22 de janeiro de 2026. Essa retirada gera incertezas sobre a continuidade da contribuição norte-americana em iniciativas como o GISRS, consideradas essenciais para detectar novas cepas com rapidez suficiente para desenvolver vacinas e orientar políticas de saúde pública.

Zhang ressaltou que o intervalo entre a identificação de um novo subtipo viral, sua caracterização laboratorial e a produção de imunizantes influencia diretamente o número de vidas que podem ser preservadas. Segundo ela, a participação ampla de países na rede de vigilância é determinante para encurtar esse intervalo, especialmente porque não é possível prever quando ou onde surgirá a próxima cepa com potencial pandêmico.

A aproximação das festas de fim de ano representa um desafio adicional. A OMS avalia que a maior circulação de pessoas em ambientes fechados, viagens e eventos familiares tende a favorecer a propagação de vírus respiratórios, incluindo a nova variante da influenza. Para reduzir o risco de sobrecarga hospitalar, a agência recomenda que governos e serviços de saúde adotem medidas antecipadas, como intensificar campanhas de vacinação, reforçar estoques de medicamentos antivirais e ampliar a capacidade de atendimento.

OMS alerta para nova variante da gripe que se espalha por 30 países - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Estatísticas globais da OMS apontam que a gripe sazonal causa aproximadamente 1 bilhão de infecções por ano. Desse total, até 5 milhões se convertem em casos respiratórios graves, responsáveis por até 650 mil mortes anuais. Esses números ressaltam a relevância de manter vigilância contínua sobre mutações como a J.2.4.1, mesmo quando não há evidência imediata de maior letalidade.

Além da vacinação, práticas de saúde pública como higienização frequente das mãos, etiqueta respiratória e isolamento de pessoas sintomáticas continuam recomendadas para reduzir a transmissão. As autoridades reiteram que indivíduos com maior risco de complicações — idosos, gestantes, crianças pequenas e portadores de doenças crônicas — devem ser priorizados nas campanhas de imunização.

Nos próximos meses, o GISRS continuará analisando amostras enviadas por laboratórios de todo o mundo para verificar se a nova variante apresenta outras mutações relevantes ou se surgem linhagens adicionais. Os resultados desses estudos orientarão eventuais ajustes na formulação da vacina para a temporada 2025-2026, processo que será conduzido na reunião semestral de especialistas.

Enquanto isso, a OMS recomenda que países reforcem a coleta de dados sobre hospitalizações, taxas de ocupação de leitos e circulação de cepas de influenza. Essas informações alimentam os modelos de previsão e ajudam a direcionar recursos de maneira mais eficaz. A agência também lembra que a gripe, apesar de comum, permanece entre as principais causas de perda de dias de trabalho e de estudo, e pode provocar complicações graves em populações vulneráveis.

Crédito da imagem: Opas/OMS/Karina Zambrana

ESCRITO POR CASSIA FREITAS

Cássia Freitas é formada em Administração de Empresas, com especialização em Administração Hospitalar. Criadora do blog Mais Saúde 10, compartilha informações práticas e confiáveis sobre saúde, bem-estar e qualidade de vida. Apaixonada por ajudar pessoas a cuidarem melhor de si mesmas e de suas famílias, combina vivências pessoais com conteúdo útil e acessível para o dia a dia.

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