OPAS alerta para avanço do sarampo nas Américas e defende cobertura vacinal de 95%

O diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Jarbas Barbosa, afirmou que a maior barreira para conter a volta do sarampo nas Américas é alcançar a população que ainda não se vacinou. Segundo ele, doses estão disponíveis, mas a percepção de baixo risco, a desinformação e obstáculos de acesso vêm reduzindo a cobertura vacinal da região.

Durante coletiva nesta quinta-feira (23), em Washington, Barbosa lembrou que o continente conquistou o certificado de eliminação do sarampo em 2016, perdeu o status em 2018, recuperou-o em 2024 e voltou a perder no ano seguinte. Para recuperar a certificação, ele defendeu compromisso político sustentado, investimentos em saúde pública e ações que reforcem a confiança nas vacinas. “Já eliminamos a doença duas vezes; podemos alcançar esse objetivo novamente”, declarou.

Avanço de casos e óbitos

Dados apresentados pela OPAS mostram que, em 2025, 14.767 casos confirmados de sarampo foram notificados em 13 países das Américas – aumento de 32 vezes em relação ao ano anterior. Em 2026, até o início de abril, já havia 15,3 mil casos confirmados, com México, Guatemala, Estados Unidos e Canadá concentrando a maior parte das ocorrências.

O número de mortes acompanha a elevação dos casos. Em 2025, 32 óbitos relacionados à doença foram registrados na região. No primeiro trimestre de 2026, outras 11 mortes foram notificadas, principalmente entre populações vulneráveis que enfrentam maiores dificuldades para acessar serviços de saúde.

Barbosa reforçou que o sarampo é uma das infecções mais contagiosas conhecidas e que um único caso pode desencadear surtos onde a cobertura com as duas doses da vacina não atinge 95%. Ele destacou que, nas últimas duas décadas e meia, a vacinação evitou mais de 6 milhões de mortes nas Américas.

Situação no Brasil

Apesar do cenário regional, o Brasil mantém desde 2024 o status de país livre da circulação endêmica do vírus. Em 2025, o país notificou 3.952 casos suspeitos: 3.841 foram descartados, 46 permanecem em investigação e 38 foram confirmados. Entre os confirmados, dez foram importados, 25 tiveram vínculo com casos importados e três apresentaram fonte de infecção não identificada.

Em 2026, até meados de março, 232 casos suspeitos foram reportados no território nacional. Dois se confirmaram: uma criança de seis meses residente em São Paulo, com histórico de viagem à Bolívia, e uma jovem de 22 anos no Rio de Janeiro, ainda sob investigação. Nenhuma das duas havia sido vacinada.

Características da doença

O sarampo é uma infecção viral aguda e altamente contagiosa transmitida por gotículas respiratórias expelidas ao tossir, espirrar, falar ou mesmo respirar. O vírus se espalha com facilidade em ambientes fechados ou com grande aglomeração de pessoas.

Os sintomas iniciais incluem febre, tosse, coriza, conjuntivite e perda de apetite. Poucos dias depois surgem manchas vermelhas que começam no rosto, sobretudo atrás das orelhas, e se espalham pelo corpo. Pode ocorrer descamação da pele, semelhante a queimadura. Complicações graves envolvem pneumonia, encefalite e, em alguns casos, cegueira.

OPAS alerta para avanço do sarampo nas Américas e defende cobertura vacinal de 95% - Radar da Saúde

Imagem: Radar da Saúde

Esquema vacinal recomendado

A forma mais eficaz de prevenção é a imunização, disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). O calendário infantil prevê a primeira dose da tríplice viral aos 12 meses de idade, conferindo proteção também contra caxumba e rubéola. A segunda dose deve ser aplicada aos 15 meses.

Pessoas de um a 59 anos sem comprovação de imunização completa devem atualizar a caderneta. Para adultos que não receberam nenhuma dose, recomenda-se duas aplicações com intervalo mínimo de 30 dias; quem recebeu apenas uma dose deve complementar o esquema.

Desafios para a eliminação

Entre os fatores que explicam a queda na cobertura estão a circulação de informações falsas, a percepção equivocada de que o sarampo não representa ameaça e barreiras geográficas ou socioeconômicas que dificultam o acesso aos serviços de saúde. A OPAS orienta que países reforcem campanhas informativas, ampliem horários de funcionamento de postos e promovam busca ativa de não vacinados.

Jarbas Barbosa reiterou que nenhum país está livre de risco enquanto houver bolsões de pessoas sem imunização. Ele defende que governos nacionais e locais adotem estratégias específicas para comunidades vulneráveis, garantindo oferta de doses suficientes, além de monitoramento constante de coberturas e investigação rápida de casos suspeitos.

Para o diretor, somente com taxa acima de 95% para as duas doses será possível interromper a circulação do vírus e retomar, de forma sustentável, o certificado de eliminação do sarampo nas Américas.

Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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