Semana de Vacinação nas Américas mobiliza 21 países a partir de sábado

Radar da Saúde

A 24ª edição da Semana de Vacinação nas Américas terá início no próximo sábado, 25 de abril, e seguirá até 2 de maio em países e territórios de todo o continente. A iniciativa, coordenada pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), adota neste ano o lema “Sua decisão faz a diferença. Imunização para todos” e busca acelerar a eliminação de mais de 30 doenças transmissíveis até 2030, sendo 11 delas evitáveis por meio de imunização.

Desde 2002, quando a mobilização foi criada, mais de 1,2 bilhão de doses de vacinas foram aplicadas nas Américas. Embora o balanço mostre avanços expressivos, a Opas avalia que a cobertura atual ainda não é suficiente para interromper a circulação de patógenos que ameaçam grupos vulneráveis. Dados de 2024 revelam que mais de 1,4 milhão de crianças na região não receberam sequer a primeira dose contra difteria, tétano e coqueluche (DTP), indicador que expõe falhas tanto de acesso quanto de adesão aos calendários nacionais.

Meta de 90 milhões de doses em uma semana

Durante os oito dias da campanha, 21 países planejam administrar aproximadamente 90 milhões de doses de vacinas de diferentes tipos. Desse total, mais de 80 milhões são destinadas à prevenção da influenza, enfermidade que registra aumento sazonal de casos no período do outono no Hemisfério Sul e da primavera no Hemisfério Norte. A aplicação maciça contra o vírus influenza é considerada estratégica para reduzir hospitalizações, sobretudo entre idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e profissionais de saúde.

Além da meta de doses, os governos participantes se comprometeram a revisar e atualizar a caderneta de imunização de pelo menos 7,2 milhões de crianças que apresentam esquemas incompletos ou que não iniciaram o calendário vacinal. A identificação desses públicos foi apontada pela Opas como prioridade imediata, já que lacunas prolongadas podem facilitar o ressurgimento de enfermidades previamente controladas, como sarampo e poliomielite.

Eixos de atuação para ampliar a cobertura

Para alcançar os objetivos estabelecidos até 2030, a organização regional propõe ações simultâneas em três frentes. Primeiro, fortalecer a vigilância epidemiológica e os sistemas de informação, permitindo localizar com mais rapidez áreas onde a cobertura está abaixo da meta de 95%. Segundo, apoiar os países na elaboração de estratégias locais de busca ativa, que incluam visitas domiciliares, campanhas em escolas e parcerias com líderes comunitários. Por fim, promover campanhas de comunicação direcionadas a públicos específicos, a fim de combater a hesitação vacinal e esclarecer dúvidas sobre segurança e eficácia dos imunizantes.

Entre os recursos disponibilizados, a Opas concentra esforços na capacitação de profissionais de saúde para o uso de ferramentas digitais que agilizam o registro de doses aplicadas e facilitam o monitoramento em tempo real dos estoques. Outra medida prevista é o suporte logístico para garantir a distribuição de vacinas em áreas de difícil acesso, como comunidades rurais remotas, territórios amazônicos e ilhas do Caribe.

Desafios persistentes

A queda na cobertura vacinal observada nos últimos anos tem sido atribuída a uma combinação de fatores, incluindo interrupções no serviço de saúde durante a pandemia de covid-19, desinformação disseminada em redes sociais e desigualdades territoriais que limitam o alcance das campanhas. A Opas alerta que, sem a recuperação rápida desses índices, doenças consideradas controladas podem voltar a circular de forma sustentada, gerando surtos e sobrecarga nos sistemas de saúde.

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Imagem: Radar da Saúde

Em resposta, a organização destaca a necessidade de engajamento multissetorial, envolvendo não apenas ministérios da Saúde, mas também Educação, Assistência Social e organizações da sociedade civil. Ações coordenadas, segundo a entidade, são essenciais para garantir que população indígena, migrantes, pessoas em situação de rua e outros grupos historicamente negligenciados recebam proteção adequada.

Expectativa para os próximos dias

Com a proximidade do início da Semana de Vacinação, as unidades de atenção primária nos países participantes intensificam a preparação de equipes, a checagem de câmaras frias e a distribuição de materiais informativos. A Opas acompanhará diariamente a evolução das metas por meio de relatórios enviados pelos ministérios da Saúde e pelo registro eletrônico de doses, permitindo ajustes imediatos em caso de necessidade.

Ao final da mobilização, os resultados consolidados serão analisados para orientar novas intervenções ao longo do ano. A expectativa é que a campanha impulsione a retomada de coberturas homogêneas, contribua para a interrupção da cadeia de transmissão de doenças prioritárias e fortaleça a confiança da população no Programa Ampliado de Imunização da região.

Crédito da imagem: PAHO/WHO/Direitos Reservados

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