São Paulo confirma três novos casos de febre amarela e duas mortes no Vale do Paraíba

Radar da Saúde

A Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo comunicou, nesta quinta-feira (23), a notificação de três novos casos de febre amarela em 2024. Dois deles, registrados no município de Lagoinha, no Vale do Paraíba, resultaram em óbito. O terceiro, em Araçariguama, na região de Sorocaba, evoluiu para cura.

Os pacientes que morreram eram homens de 56 e 53 anos, moradores de Lagoinha. Ambos não haviam recebido a vacina contra a doença. Já o caso de Araçariguama envolveu um homem de 43 anos, também não vacinado, que recebeu atendimento médico, superou o quadro clínico e teve alta.

Os novos registros somam-se a outros três contabilizados na semana anterior. Na ocasião, um homem de 38 anos, residente em Cunha, igualmente no Vale do Paraíba, não resistiu às complicações provocadas pelo vírus. Outros dois pacientes, residentes em Cruzeiro, ficaram curados. Assim, desde o início do ano, o estado acumula seis ocorrências autóctones, das quais três evoluíram para morte e três resultaram em recuperação total.

A pasta estadual reforça que, em todos os episódios confirmados até o momento, não havia histórico de imunização. A ausência da vacina é apontada como o principal fator de risco, uma vez que a febre amarela tem disponível, na rede pública, um imunizante considerado altamente eficaz na prevenção.

Vacinação disponível na rede pública

A vacina contra a febre amarela é ofertada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e postos volantes. O calendário recomendado prevê dose única aos 9 meses de idade, com reforço aos 4 anos. Quem recebeu a primeira aplicação antes dos 5 anos deve receber uma segunda dose. Pessoas de 5 a 59 anos que nunca foram imunizadas também devem procurar uma unidade para receber a proteção.

Embora o Ministério da Saúde oriente que adultos imunocompetentes necessitem de apenas uma dose ao longo da vida, o governo paulista adota a dose de reforço em crianças para ampliar a cobertura protetiva no público infantil. A secretaria lembra que a contra-indicação persiste para crianças menores de 6 meses, gestantes, pessoas com imunodeficiência grave e pacientes em tratamento oncológico, salvo avaliação médica individualizada.

Monitoramento e áreas de risco

O Vale do Paraíba permanece em alerta, pois concentrou cinco dos seis registros deste ano. A região abriga extensas áreas de mata atlântica e fragmentos de floresta, ambientes favoráveis à circulação do vírus, transmitido por mosquitos silvestres dos gêneros Haemagogus e Sabethes. A área de Sorocaba, que inclui Araçariguama, também é alvo de ações preventivas devido à proximidade com remanescentes florestais.

Equipes de vigilância ambiental mantêm a investigação de epizootias (mortes de macacos) e a coleta de mosquitos em pontos estratégicos. Esses indicadores auxiliam na delimitação de áreas com maior risco de transmissão. Quando há confirmação de circulação viral, a Secretaria da Saúde intensifica bloqueios vacinais e campanhas de conscientização nos municípios vizinhos.

Sintomas e conduta recomendada

A febre amarela apresenta quadro inicial com febre súbita, dor de cabeça, calafrios, náusea e dores musculares, principalmente nas costas. Em alguns casos a infecção evolui para formas graves, com icterícia, sangramentos e comprometimento hepático e renal. A orientação é buscar atendimento médico imediato ao primeiro sinal de sintomas após deslocamento para áreas de mata ou registro de epizootias.

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Imagem: Radar da Saúde

O tratamento é de suporte, focado no controle de sintomas e complicações. Não há medicação antiviral específica. Por esse motivo, a vacinação preventiva continua sendo a principal estratégia de saúde pública para eliminar óbitos e conter a expansão da doença.

Ações em andamento

Além das investigações de campo, a secretaria estadual mantém campanhas informativas em rádios, redes sociais e veículos impressos, destacando a disponibilidade da vacina e os locais de aplicação. Profissionais das UBSs recebem orientações atualizadas sobre manejo clínico, notificação imediata de casos suspeitos e protocolos de vigilância.

Desde a reintrodução de circulação de febre amarela em áreas urbanas do estado, em 2016, São Paulo adota campanhas sazonais de imunização, priorizando zonas de mata e corredores ecológicos. A estratégia tem como meta atingir cobertura vacinal mínima de 95% nas regiões consideradas de risco.

Os dados mais recentes reforçam a importância de a população atualizar a caderneta de vacinação e seguir as recomendações das autoridades de saúde. Segundo a Secretaria da Saúde, estoques do imunizante estão disponíveis em todo o estado, e não há necessidade de agendamento prévio na maioria dos postos.

No panorama nacional, o Ministério da Saúde mantém o monitoramento da febre amarela e reforça a distribuição de doses para unidades federativas com presença de áreas de mata ou histórico de circulação viral. A pasta alerta que, embora a maioria dos casos atuais seja de transmissão silvestre, a prevenção em zonas urbanas depende da manutenção de altas coberturas vacinais cumulativas.

Crédito da imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil

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