O navio-cruzeiro MV Hondius, que zarpou da Argentina, permanece sob vigilância internacional depois que três passageiros morreram com sintomas de hantavírus. A embarcação atracou no fim de semana na cidade da Praia, em Cabo Verde, onde recebeu apoio imediato de equipes da Organização Mundial da Saúde (OMS) antes de retomar viagem rumo às Ilhas Canárias, na Espanha.
Intervenção em Cabo Verde
Com o navio ainda fundeado próximo à capital cabo-verdiana, profissionais do Hospital Central Agostinho Neto, acompanhados por especialistas da OMS, embarcaram utilizando equipamentos de proteção individual para avaliar os casos suspeitos. Dois tripulantes sintomáticos e um terceiro passageiro que mantinha contato próximo foram retirados em uma operação que envolveu botes de apoio, ambulâncias e posterior traslado aéreo para os Países Baixos. Segundo a OMS, os três chegaram à Holanda em estado clínico estável.
Após a evacuação, a entidade mobilizou um médico com experiência em epidemiologia e um representante do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) para acompanharem o restante da travessia até o arquipélago espanhol. As autoridades de saúde locais e internacionais coordenam, desde então, o monitoramento constante dos ocupantes do cruzeiro.
Características do surto
Os testes iniciais identificaram a variante Andes do hantavírus, reconhecida por possibilitar, em circunstâncias específicas, a transmissão de pessoa para pessoa. Até o momento, cinco infecções foram confirmadas, além dos três óbitos registrados a bordo. O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, esclareceu em entrevista concedida nesta quinta-feira, em Genebra, que o episódio não deve ser confundido com a pandemia de Covid-19, embora a transmissão humana tenha sido verificada.
O hantavírus teve origem descrita em roedores silvestres e foi identificado pela primeira vez na década de 1970, perto do rio Hantan, na Coreia do Sul. O período de incubação varia de uma a oito semanas, razão pela qual todos os passageiros permanecem isolados em suas cabines, seguindo recomendações de distanciamento físico, uso de máscaras e reforço de higiene das mãos.
Casos fora da embarcação
A rota do MV Hondius antes da imposição de quarentena fez com que passageiros desembarcassem em diferentes países. Autoridades confirmam:
- Cabo Verde: dois pacientes evacuados em estado sintomático.
- África do Sul: um caso fatal e outro internado em unidade de terapia intensiva.
- Suíça: um passageiro que deixou o navio anteriormente, desenvolveu sintomas em solo suíço e encontra-se hospitalizado.
Organismos de saúde utilizam o Regulamento Sanitário Internacional (RSI) para rastrear contatos e orientar possíveis expostos. Passageiros que viajaram em voos ou outros meios de transporte ao lado de infectados estão sendo notificados a observar sinais como febre, fadiga, dores musculares ou dificuldade respiratória e a procurar atendimento médico caso esses sintomas surjam.
Imagem: Internet
Estado atual a bordo
De acordo com boletins repassados à OMS, nenhum passageiro apresenta sintomas no momento. Apesar disso, equipes médicas permanecem embarcadas para atendimento imediato, caso surjam novos quadros suspeitos. A vigilância inclui checagem diária de temperatura, avaliações clínicas e testagens conforme protocolos internacionais.
Risco global avaliado como baixo
Especialistas reiteram que a transmissão do hantavírus requer contato físico muito próximo, geralmente envolvendo exposição a saliva ou secreções respiratórias de indivíduos infectados. A representante da OMS em Cabo Verde, Ann Lindstrand, afirmou que, com as medidas de contenção adotadas, a probabilidade de expansão ampla do surto é considerada reduzida. Ainda assim, o monitoramento prossegue até que todos os potenciais contatos completem o período máximo de incubação sem manifestação da doença.
O MV Hondius deve atracar nas Ilhas Canárias nos próximos dias, onde autoridades espanholas já preparam infraestruturas de recepção e, se necessário, facilidades de isolamento. Governos de países por onde o navio passou, bem como nações de origem e destino de passageiros, mantêm comunicação constante para troca de informações epidemiológicas e alinhamento de procedimentos de saúde pública.
No cenário atual, a estratégia coletiva prioriza a identificação precoce de qualquer novo caso, o rastreamento minucioso de contatos e a adoção de protocolos de biossegurança para impedir que a variante Andes encontre condições de disseminação mais ampla.
Crédito da imagem: ONU News




