Autoridades de saúde de Cabo Verde concluíram, na quarta-feira, a remoção de três passageiros do navio de cruzeiro Hondius que apresentavam sintomas compatíveis com hantavírus ou tiveram contato direto com casos confirmados. Os evacuados foram transportados em aeronave sanitária para os Países Baixos, com o objetivo de receber tratamento especializado e reduzir o risco de propagação da doença.
O alerta sanitário teve início no sábado, quando a embarcação, com 147 pessoas a bordo, reportou possíveis infecções durante a travessia no Atlântico. Na mesma data, o navio aproximou-se da costa de Cabo Verde em busca de apoio médico e logístico. Desde então, foram contabilizados oito casos de hantavirose associados ao cruzeiro, dos quais três evoluíram para óbito.
Antes da evacuação de quarta-feira, dois pacientes já haviam sido hospitalizados fora do território cabo-verdiano: um na África do Sul e outro na Suíça. O homem tratado em Zurique corresponde ao oitavo caso divulgado. Ele procurou atendimento após receber comunicado da empresa operadora do navio sobre a necessidade de vigilância de sintomas.
A operação em Cabo Verde foi conduzida em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e contou com a participação de equipes locais de vigilância epidemiológica, profissionais de saúde e agentes de proteção civil. Para minimizar a possibilidade de contágio entre a população residente, as autoridades optaram por não permitir o desembarque dos passageiros. Em vez disso, profissionais devidamente equipados realizaram atendimento e coleta de amostras diretamente a bordo.
Após a conclusão da evacuação, o Hondius liberou o ancoradouro no porto da Praia e seguiu viagem para as Ilhas Canárias, Espanha. Permanece a bordo um médico designado pela OMS, acompanhado de outros profissionais de saúde, além de suprimentos de emergência capazes de sustentar o atendimento durante a rota até o próximo destino.
Passageiros que continuam na embarcação, todos assintomáticos até o momento, receberam instruções para permanecer, sempre que possível, em suas cabines, manter distância física, realizar higiene frequente das mãos e utilizar máscaras. As medidas preventivas serão mantidas durante toda a travessia, pois existe a possibilidade de que algum ocupante esteja no período de incubação do vírus, cujo tempo pode variar de poucas semanas.
Desde o início do surto, a OMS fornece kits de diagnóstico laboratorial, equipamentos de proteção individual, apoio técnico e recursos financeiros a Cabo Verde. Três dos casos detectados já foram confirmados como infecção pelo hantavírus do tipo Andes, variedade predominante na América do Sul e reconhecida como a única com registros documentados de transmissão de pessoa para pessoa.
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O diretor-geral da agência global de saúde classificou o risco geral para a saúde pública, nesta fase, como baixo, mas ressaltou a importância da vigilância multinacional. A OMS colabora com autoridades de diversos países para rastrear contatos de viajantes que desembarcaram ou que possam ter tido exposição a bordo. O objetivo é identificar rapidamente eventuais infecções secundárias e interromper cadeias de transmissão.
Investigações preliminares indicam que os indivíduos contaminados podem ter contraído o vírus antes do embarque, possibilidade que ainda está sob análise. Hantavírus são transmitidos por roedores silvestres ou domésticos e podem causar doenças respiratórias ou hemorrágicas graves em humanos. A infecção ocorre, principalmente, pela inalação de aerossóis formados a partir da urina, saliva ou fezes de animais infectados, além de contato direto com esses materiais.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal confirmou a presença de um cidadão português na tripulação do Hondius. De acordo com a pasta, o tripulante não solicitou assistência consular até o momento.
Com a remoção dos casos suspeitos e a permanência de equipes médicas especializadas a bordo, autoridades cabo-verdianas consideram que as medidas adotadas reduzem significativamente o risco de um surto local. Ainda assim, a vigilância em portos e aeroportos do arquipélago permanece reforçada para detectar rapidamente qualquer sinal de transmissão comunitária.
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