OMS classifica como baixo o risco de surto de hantavírus e afasta comparação com a Covid-19

Radar da Saúde

Genebra – A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que o perigo de um surto generalizado de hantavírus é “absolutamente baixo” e não se aproxima do padrão de transmissão observado na Covid-19. A avaliação foi apresentada nesta sexta-feira, em entrevista coletiva na sede da agência, pelo porta-voz Christian Lindmeier.

Segundo o representante, o hantavírus identificado no episódio atual não se propaga com a mesma facilidade dos vírus respiratórios responsáveis pela pandemia de 2020. “Trata-se de um agente perigoso para a pessoa infectada, mas que raramente passa adiante”, resumiu Lindmeier ao esclarecer dúvidas levantadas por jornalistas.

Até o momento, autoridades de saúde confirmaram três mortes relacionadas ao surto e notificaram oito casos suspeitos, dos quais cinco já tiveram confirmação laboratorial. A análise genética apontou que se trata do Hantavírus Andes, variante conhecida por permitir, em circunstâncias específicas, uma transmissão limitada entre seres humanos.

O porta-voz explicou que, na maior parte dos episódios documentados, a infecção de pessoa para pessoa exige contato próximo e prolongado, geralmente entre familiares ou parceiros íntimos. Até agora, não foram registrados contágios em larga escala. Como exemplo, Lindmeier mencionou o caso de uma comissária de bordo que desembarcou ao lado de uma passageira posteriormente diagnosticada com hantavirose; mesmo após o contato direto, a profissional testou negativo.

A OMS reforçou que a transmissão ocasional não altera a classificação de risco baixo para a população em geral. Casos descritos como exceções, como a exposição em cabines compartilhadas, indicaram que nem sempre o segundo ocupante adoece, reforçando a necessidade de contato muito próximo para que ocorra a passagem do vírus.

O surto em curso teve início a bordo de um navio de cruzeiro atualmente em rota para as Ilhas Canárias. Equipes da OMS coordenam o rastreamento de pessoas que possam ter sido expostas, bem como o acompanhamento clínico dos viajantes ainda a bordo. De acordo com a agência, nenhum passageiro ou tripulante que permanece no navio apresenta sintomas no momento.

Os hantavírus formam um grupo de vírus zoonóticos associados a roedores. A infecção humana costuma ocorrer por meio do contato direto com animais portadores ou com secreções como urina, saliva e fezes. Um dos reservatórios mais conhecidos é o rato-de-cabeça-branca da América do Norte (Peromyscus maniculatus), identificado em estudos anteriores como transmissor natural.

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Imagem: Internet

A variante Andes, predominante em áreas da América do Sul, é a única forma de hantavírus com capacidade documentada de disseminação limitada entre humanos. Mesmo assim, especialistas sublinham que a cadeia de contágio geralmente se encerra após poucos casos, ao contrário de vírus respiratórios altamente contagiosos.

Linha do tempo do surto

• Em 6 de abril, o primeiro paciente apresentou sintomas a bordo do cruzeiro; ele morreu ainda durante a viagem.
• Pouco depois, sua esposa foi evacuada para a África do Sul, onde exames confirmaram a infecção; ela também faleceu.
• Em 2 de maio, um terceiro passageiro morreu em consequência da doença.
• Um quarto caso permanece internado em unidade de terapia intensiva na África do Sul.
• Outros pacientes foram transferidos para hospitais nos Países Baixos para tratamento especializado.

A OMS prossegue no monitoramento do evento e mantém comunicação com autoridades sanitárias dos países envolvidos. Até a publicação mais recente, a agência não recomendou restrições adicionais a viagens nem mudanças nos protocolos de rotina, reforçando apenas medidas de higiene em ambientes com possível presença de roedores e o rápido isolamento de casos suspeitos.

Crédito da imagem: CDC/James Gathany

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