OMS acompanha chegada a Tenerife de cruzeiro com surto de hantavírus

O navio de cruzeiro MV Hondius, onde foram registradas três mortes provocadas por hantavírus, tem desembarque previsto para a madrugada deste domingo (horário local) na ilha de Tenerife, Espanha. A operação será acompanhada presencialmente pelo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, que se juntará a equipes de saúde, autoridades portuárias e representantes do governo regional.

A atracação ocorrerá no porto industrial de Granadilla, localizado fora de áreas residenciais. Segundo o protocolo definido pelas autoridades espanholas em coordenação com a OMS, os passageiros serão conduzidos em veículos lacrados, sob escolta e por um corredor completamente isolado, até a zona de transferência. Em seguida, todos serão encaminhados diretamente aos seus países de origem por meio de voos organizados pelos respectivos governos.

Risco considerado baixo pela OMS

Em mensagem divulgada neste sábado, Tedros informou que, no momento, não há passageiros com sintomas a bordo. A avaliação mais recente aponta para risco baixo de disseminação do vírus na comunidade local. Um especialista da OMS permanece embarcado monitorando a saúde dos viajantes e da tripulação, enquanto o navio foi reabastecido em Cabo Verde com insumos médicos suficientes para a travessia até Tenerife.

O surto em questão envolve a estirpe Andes do hantavírus, conhecida pela possibilidade de transmissão entre humanos em situações de contato próximo e prolongado. Até agora foram relatados oito casos suspeitos, seis deles confirmados por exames laboratoriais. Três pessoas, cujas identidades e nacionalidades não foram divulgadas, morreram durante a viagem.

Origem e formas de transmissão

Hantavírus são agentes zoonóticos normalmente transportados por roedores silvestres. A infecção humana costuma ocorrer pelo contato direto com animais portadores ou com sua urina, saliva ou fezes secas dispersas no ar. A variante Andes, identificada inicialmente na América do Sul, é considerada a única capaz de transmitir-se de pessoa para pessoa, ainda que de forma restrita.

Procedimentos de repatriação

Estão a bordo cerca de 150 indivíduos provenientes de 23 países. Todos serão submetidos a avaliação médica no momento do desembarque. Após a liberação, cada passageiro seguirá em veículos separados até o aeroporto, sem contato com a população local ou com outros viajantes. O objetivo, segundo a OMS, é garantir o retorno seguro e rápido aos respectivos sistemas de saúde nacionais, caso surjam sintomas posteriores.

As autoridades espanholas instalaram áreas de triagem e isolamento temporário dentro do porto. Equipes de vigilância epidemiológica ficarão responsáveis por registrar dados clínicos e de itinerário dos passageiros, documento que acompanhará cada viajante no processo de repatriação.

Base legal da operação

A Espanha aceitou receber o MV Hondius após solicitação formal da OMS com base no Regulamento Sanitário Internacional. O acordo determina que, diante de evento de saúde pública de interesse internacional, deve-se identificar o porto mais próximo com capacidade médica adequada para receber a embarcação, preservar a dignidade dos ocupantes e reduzir riscos para a comunidade.

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Imagem: Internet

Tenerife foi escolhida por possuir infraestrutura hospitalar, laboratórios de referência e logística aérea capaz de agilizar a saída dos turistas. O diretor-geral da OMS agradeceu ao primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, pela decisão, destacando o caráter solidário da medida.

Contexto e mensagens às comunidades locais

Desde o início da pandemia de Covid-19, portos de diversos países adotam protocolos mais rigorosos para navios com registros de doenças transmissíveis. No comunicado deste sábado, Tedros enfatizou que a atual situação não se assemelha ao cenário de 2020. Segundo ele, a ausência de sintomas no grupo e o perfil de transmissão limitada do hantavírus Andes permitem classificar o risco geral como controlado, ainda que exijam cautela.

O chefe da OMS elogiou a resposta de Tenerife, descrevendo-a como pautada pela colaboração entre autoridades sanitárias, setor portuário e população insular. As autoridades locais reforçaram orientações de higiene, mas não estabeleceram restrições adicionais a moradores ou visitantes. Eventos públicos, serviços turísticos e transporte seguem operando sem mudanças, embora haja reforço na comunicação sobre sinais e sintomas da infecção.

A previsão é que toda a operação de desembarque, triagem e deslocamento para o aeroporto seja concluída ainda no domingo. O MV Hondius permanecerá ancorado em Granadilla para limpeza e desinfecção antes de receber autorização de partida. Equipes ambientais espanholas coletarão amostras de bordo para análise laboratorial, a fim de rastrear possíveis fontes de contaminação.

Com a finalização da operação, a OMS pretende divulgar relatório detalhado sobre a resposta coordenada entre os 23 países cujos cidadãos estavam no navio, incluindo recomendações para prevenir ocorrências semelhantes em rotas marítimas internacionais.

Crédito da imagem: OMS/Pierre Albouy | CDC/James Gathany

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