A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) colocou em operação, neste sábado (27), a primeira Unidade de Terapia Intensiva Inteligente do Sistema Único de Saúde. A estrutura, instalada no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, conhecido como Hospital do Fundão, reúne equipamentos de monitoramento contínuo, conexão 5G e sistemas baseados em inteligência artificial capazes de analisar, em tempo real, os sinais vitais de pacientes graves.
Com a implantação, o Ministério da Saúde inicia a Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes e Medicina de Alta Precisão, anunciada em 2023. A proposta prevê 14 UTIs Inteligentes distribuídas em todas as regiões do país, totalizando 280 leitos e investimento de R$ 180 milhões.
Monitoramento avançado
O modelo adotado no Rio de Janeiro integra monitores, respiradores e bombas de infusão a uma plataforma que centraliza dados clínicos. O software cruza informações de múltiplos dispositivos, identifica alterações súbitas e dispara alertas à equipe. Com isso, há maior rapidez na decisão terapêutica e no ajuste de condutas, fator que, segundo o Ministério da Saúde, reduz tempo de permanência na UTI e agiliza o giro de leitos.
A interoperabilidade também alcança as chamadas ambulâncias 5G. Durante o transporte de pacientes, sinais vitais são transmitidos ao hospital, permitindo preparação prévia do atendimento e intervenção imediata caso haja instabilidade hemodinâmica.
Impacto na fila por atendimento
Estimativas da pasta indicam que a combinação de inteligência artificial e análise de grandes bases de dados pode diminuir em até cinco vezes o tempo de espera por emergência. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, presente à inauguração, destacou que a detecção precoce de piora clínica facilita intervenções rápidas, encurta a permanência no leito intensivo e, consequentemente, libera espaço para novos pacientes.
Próximas unidades
Além do Hospital do Fundão, outras 13 instituições receberão UTIs Inteligentes:
- Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (São Paulo, SP)
- Hospital Federal do Bonsucesso (Rio de Janeiro, RJ)
- Hospital das Clínicas da UFMG (Belo Horizonte, MG)
- Hospital Universitário de Brasília da UnB (Brasília, DF)
- Hospital Geral Roberto Santos (Salvador, BA)
- Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira – Imip (Recife, PE)
- Hospital Geral de Fortaleza (Fortaleza, CE)
- Hospital Getúlio Vargas (Teresina, PI)
- Hospital Beneficente Portuguesa (Belém, PA)
- Hospital Universitário Evangélico Mackenzie – Huem (Curitiba, PR)
- Hospital Nossa Senhora da Conceição – GHC (Porto Alegre, RS)
- Hospital Regional de Dourados (Dourados, MS)
- Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz (Manaus, AM)
A primeira etapa de implantação contempla dez leitos em cada unidade. Amazonas, Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco e Rio Grande do Sul serão os próximos a receber os equipamentos.
Hospital inteligente em São Paulo
Paralelamente às UTIs, o Ministério da Saúde direciona R$ 4,8 bilhões para outras ações de alta complexidade. Entre elas está o Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI), que fará parte do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Planejado para iniciar atividades em 2027, o ITMI terá 800 leitos voltados a emergências adulto e pediátrica, com foco em neurologia, neurocirurgia, cardiologia e terapia intensiva, atendendo aproximadamente 20 mil pessoas por ano.
Imagem: Radar da Saúde 21
Os recursos para essas iniciativas contam com financiamento de R$ 1,7 bilhão do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), também conhecido como Banco do Brics, com prazo de amortização de 30 anos.
Novo acelerador de radioterapia
Durante a mesma visita ao Hospital do Fundão, foi inaugurado o primeiro acelerador linear da unidade. O aparelho, adquirido por R$ 3,4 milhões, reduz o tempo por sessão de radioterapia e amplia a capacidade de atendimento de 20 para até 40 pacientes diários, preservando tecidos saudáveis ao redor do tumor. O Ministério da Saúde prevê a entrega de 70 equipamentos semelhantes ao SUS ainda este ano.
Objetivo de retomada de protagonismo
Para a reitoria da UFRJ, o conjunto de investimentos devolve às unidades de saúde da universidade o papel de vanguarda na incorporação tecnológica. A expectativa é que a modernização impulsione pesquisas, formação de profissionais e oferta de serviços de alta complexidade para a rede pública.
Com a operação da primeira UTI Inteligente, começam a ser testados, em ambiente público, modelos de cuidado intensivo baseados em conectividade, processamento de dados em larga escala e algoritmos preditivos. A experiência servirá de referência para os demais hospitais da rede nacional, que devem adotar soluções semelhantes nos próximos anos.
Crédito da imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil



