OMS destaca avanços e obstáculos na implementação de políticas eficazes contra o consumo nocivo de álcool

Radar da Saúde

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulga nesta sexta-feira um relatório que examina a forma como diferentes países transformam recomendações baseadas em evidências em ações concretas para reduzir os danos ligados ao consumo de bebidas alcoólicas. Segundo a agência, aproximadamente 2,6 milhões de pessoas morrem a cada ano em razão de problemas relacionados ao álcool, número que poderia ser drasticamente menor se as nações adotassem e sustentassem medidas de prevenção conhecidas.

O documento, intitulado Implementando o que funciona na política sobre álcool: relatório de progresso da iniciativa Safer, será lançado em um evento virtual aberto a Estados-Membros, entidades parceiras, organizações da sociedade civil, pesquisadores e demais interessados em políticas públicas de saúde. A OMS esclarece que apenas participantes sem conflitos de interesse com as indústrias de álcool, tabaco ou armamentos podem acompanhar a sessão.

Entre as recomendações defendidas pela organização constam políticas de preços, restrições de disponibilidade e comercialização, limitações à publicidade, ações contra a condução de veículos sob efeito de álcool e programas de triagem e aconselhamento em serviços de saúde. Embora a eficácia dessas iniciativas seja reconhecida, o principal desafio identificado é a dificuldade de colocá-las em prática de modo consistente e de mantê-las ao longo do tempo, sobretudo diante de pressões exercidas por setores comerciais.

Experiências apresentadas por quatro países

No lançamento do relatório, representantes de Uganda, Nepal, Irlanda e Sri Lanka relatarão, em condições de igualdade, resultados, entraves e estratégias implementadas. Os quatro casos ilustram abordagens distintas que têm em comum o uso do pacote Safer da OMS, conjunto de ações voltado a reduzir os danos do consumo de álcool.

Em Uganda, a política sobre álcool vem sendo integrada a diferentes setores governamentais. O país também introduziu rotineiramente a triagem e o aconselhamento breve sobre uso de bebidas alcoólicas nos cuidados primários de saúde, buscando identificar padrões de consumo nocivo ainda na fase inicial e encaminhar os pacientes para intervenções adequadas.

O Nepal apresenta o exemplo de uma proibição nacional de publicidade de bebidas alcoólicas adotada em 2023. A decisão foi impulsionada por mobilização da sociedade civil e respaldo do Judiciário. Para fiscalizar o cumprimento da norma, formou-se uma rede de monitoramento composta por voluntários, que reportam violações às autoridades competentes.

A Irlanda compartilha detalhes de uma das legislações mais abrangentes do mundo em matéria de controle do álcool. A norma, em implementação gradual, já atinge aproximadamente 190 mil pessoas distribuídas em dez comunidades, combinando ações de restrição de marketing, rotulagem com alertas de saúde e políticas de preços que elevam o custo de bebidas de elevado teor alcoólico.

OMS destaca avanços e obstáculos na implementação de políticas eficazes contra o consumo nocivo de álcool - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

No Sri Lanka, a estratégia passa pela criação de uma plataforma nacional de implementação que reúne ministérios das áreas de finanças e saúde. O trabalho é apoiado por um estudo de caso de investimento produzido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com o objetivo de demonstrar as vantagens econômicas de reduzir o consumo nocivo de álcool e de alinhar recursos orçamentários às metas de saúde pública.

Panorama global e próximos passos

Além dos estudos de caso, o relatório faz um balanço dos avanços obtidos desde 2018 na execução do Plano de Ação Global sobre o Álcool 2022-2030. A análise revela que inúmeros governos já aderiram a iniciativas de controle de preço, limitaram pontos de venda e adotaram advertências sanitárias, mas diversos países ainda enfrentam obstáculos para a aplicação integral das medidas ou sofrem retrocessos devido à influência de interesses econômicos.

A OMS reforça que, embora existam evidências robustas sobre a eficácia das intervenções propostas, a implementação de longo prazo depende de vontade política, mobilização social e recursos financeiros estáveis. A agência espera que o compartilhamento de experiências descritas no novo relatório ajude governos a superar resistências, fortalecer legislações e priorizar ações capazes de salvar vidas e reduzir custos associados a doenças não transmissíveis.

Crédito da imagem: OMS/Sergey Volkov

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