Genebra, 2026 – As Estatísticas Mundiais de Saúde divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quarta-feira evidenciam progressos em diversas frentes, mas confirmam que o ritmo atual é insuficiente para que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) ligados à saúde sejam alcançados até 2030.
Doenças infecciosas: redução desigual
Entre 2010 e 2024, as novas infecções pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) caíram 40%, enquanto a incidência de tuberculose recuou 12% desde 2015. Em sentido oposto, a malária registrou aumento de 8,5% no mesmo período, afastando ainda mais a possibilidade de atingir a meta de eliminação da doença. A OMS destaca que os avanços obtidos dependem de financiamento contínuo, cobertura de serviços e vigilância epidemiológica, fatores considerados frágeis em regiões de baixa renda.
Fatores de risco persistem
O relatório aponta que a prevalência global de anemia em mulheres em idade reprodutiva subiu para 30,7% em 2023, superando os níveis observados em 2012. Paralelamente, o sobrepeso em crianças menores de cinco anos chegou a 5,5% em 2024. Apesar disso, houve redução no consumo de tabaco e álcool desde 2010, e essas quedas tendem a colocar ambos os indicadores ligeiramente abaixo das metas globais definidas pela OMS.
Violência contra mulheres permanece elevada
Os dados de 2023 estimam que 24,7% das mulheres e meninas a partir de 15 anos sofreram violência perpetrada por parceiro íntimo, e 8,2% foram vítimas de violência sexual por pessoas que não o parceiro. A organização ressalta a subnotificação desses casos e alerta que a persistência da violência de gênero constitui obstáculo relevante ao progresso sanitário e social.
Desaceleração na cobertura de saúde e impacto financeiro
A trajetória rumo à cobertura universal de saúde perdeu impulso. Entre 2015 e 2023, o índice global subiu de 68 para 71 pontos, avanço considerado modesto pela agência. Cerca de 25% da população mundial enfrentou dificuldades financeiras por gastos diretos com serviços de saúde, e 1,6 bilhão de pessoas foram empurradas para a pobreza ou nela permaneceram até 2022 em decorrência dessas despesas.
Mortes maternas e infantis: progresso abaixo do necessário
Comparado a 2000, o mundo registrou queda de 40% na mortalidade materna e de 51% na mortalidade de crianças menores de cinco anos. Mesmo assim, a taxa materna de 2023 permanece quase três vezes acima da meta estipulada para 2030, e diversos países não avançam na velocidade necessária para reduzir mortes infantis.
Imunização infantil perde fôlego
Quatro vacinas essenciais continuam abaixo da cobertura global mínima de 90%. A segunda dose da vacina contra o sarampo apresenta o maior hiato, situação que favorece o ressurgimento de surtos em vários continentes. A OMS atribui a estagnação a lacunas operacionais nos sistemas de saúde e à desinformação que afeta a confiança da população.
Imagem: Internet
Pandemia de Covid-19 e reversão de ganhos
De 2020 a 2023, ocorreram aproximadamente 22,1 milhões de mortes associadas à Covid-19, número três vezes superior às 7 milhões registradas oficialmente. O pico foi em 2021, com 10,4 milhões de óbitos; em 2023, o total caiu para 3,3 milhões. Homens apresentaram mortalidade maior do que mulheres em todas as regiões, e pessoas com 85 anos ou mais tiveram risco dez vezes superior ao de adultos mais jovens.
O impacto da pandemia eliminou quase uma década de progresso na expectativa de vida global e na expectativa de vida saudável. Ambos os indicadores cresceram de 2000 a 2019, recuaram durante a crise sanitária e mostraram recuperação parcial a partir de 2021. Até 2023, a expectativa de vida feminina retornou ao patamar pré-pandemia, mas a maioria das métricas segue ligeiramente abaixo dos níveis de 2019.
Panorama geral aponta desigualdades
Na avaliação da OMS, as conquistas observadas nos últimos 20 anos — como declínios significativos em mortalidade materna, infantil, HIV, tuberculose, uso de tabaco e consumo de álcool — comprovam que iniciativas coordenadas podem produzir resultados mensuráveis. Contudo, a organização ressalta que o progresso atual é insuficiente, heterogêneo entre regiões e vulnerável a choques sistêmicos, como pandemias e conflitos.
Países de baixa e média renda, bem como comunidades marginalizadas, suportam parcela desproporcional do ônus das doenças e das falhas de financiamento. Sem aceleração de investimentos e políticas voltadas à equidade, o cenário projetado para 2030 indica que várias metas globais de saúde ficarão fora de alcance.
Crédito da imagem: ONU News




