SUS amplia serviço remoto para atender dependentes de jogos de apostas

O Ministério da Saúde decidiu reforçar, ainda em 2026, o atendimento telefônico e por videochamadas dirigido a pessoas com dependência em jogos de apostas. A expansão será viabilizada pela Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS), responsável pela contratação de empresas especializadas, com o objetivo de garantir assistência gratuita aos jogadores compulsivos em todo o país.

Estrutura já em funcionamento

O teleatendimento focado em apostas foi criado em março deste ano em cooperação com o Hospital Sírio-Libanês. Nos três primeiros meses de operação, 6.912 usuários se inscreveram na plataforma. Segundo a pasta, a procura crescente evidenciou a necessidade de ampliar a capacidade de resposta do serviço.

Investimento previsto

A ampliação demandará investimento de aproximadamente R$ 70 milhões até dezembro. O valor integra o plano de prevenção, qualificação de profissionais e ampliação do acesso à Rede de Atenção Psicossocial (Raps) lançado pelo ministério para fortalecer o cuidado às pessoas afetadas por jogos de apostas.

Além dos recursos para o teleatendimento, estão reservados R$ 6 milhões para uma pesquisa nacional inédita. O estudo pretende mapear como apostas impactam a saúde da população, identificar grupos mais vulneráveis e apontar os riscos predominantes, subsidiando futuras ações e políticas públicas.

Origem do financiamento

Parte das despesas será coberta pelos R$ 45,7 milhões recebidos em 2025, referentes à destinação social de 1% do Produto da Arrecadação de tributos pagos por casas de apostas e apostadores. No ano passado, essa arrecadação somou R$ 4,5 bilhões e foi distribuída conforme os percentuais estabelecidos na Lei nº 14.790/2023: saúde (1%), educação (10%), turismo (28%), esportes (36%), segurança pública (13,6%), seguridade social (10%) e outras áreas (1,4%).

Pela legislação, toda quantia repassada à saúde deve financiar medidas de prevenção, controle e mitigação de danos ligados ao jogo. Embora o ministério não disponha de estimativa do custo específico com dependentes de apostas — uma vez que o atendimento ocorre dentro de serviços de média e alta complexidade da Raps, cujos gastos chegaram a cerca de R$ 2,5 bilhões em 2025 — a pasta considera a destinação social uma fonte relevante, complementada pelo orçamento próprio.

Porta de entrada digital

O serviço é acessado por meio do aplicativo Meu SUS Digital. Após baixar a ferramenta nas lojas Android, iOS ou na versão web, o usuário cria ou utiliza sua conta Gov.br para se cadastrar. A plataforma disponibiliza conteúdos sobre sinais de alerta, formas de prevenção e efeitos dos jogos na saúde mental.

Um autoteste, validado por especialistas, ajuda a avaliar o grau de risco. Resultados moderados ou altos encaminham o usuário automaticamente para o teleatendimento. Quem apresenta risco baixo recebe orientação para buscar suporte presencial em Centros de Atenção Psicossocial (Caps) ou Unidades Básicas de Saúde (UBS).

SUS amplia serviço remoto para atender dependentes de jogos de apostas - Radar da Saúde

Imagem: Radar da Saúde

A Ouvidoria do SUS também oferece orientação pelo telefone 136, formulário eletrônico, WhatsApp ou chatbot no site do ministério. O tratamento de dados segue as diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Crescimento da demanda

A Organização Mundial da Saúde classifica problemas com jogos de apostas como comportamento que pode prejudicar a saúde mental, associado à ansiedade, depressão, outros transtornos compulsivos e maior risco de suicídio. Dados do SUS indicam aumento de 104% nos atendimentos relacionados a jogo patológico entre janeiro de 2018 e maio de 2025. No período, foram registrados 10.553 atendimentos, sendo 4.316 em ambulatórios e 6.237 na Atenção Primária. Homens de 20 a 49 anos concentram a maior parte dos casos, mas o crescimento entre jovens tem chamado a atenção de especialistas.

Medidas complementares

O avanço do problema motivou diferentes iniciativas públicas. Em dezembro de 2025, a União lançou a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, que permite ao interessado bloquear o acesso a todos os sites de apostas autorizados no país. Até o fim de maio, mais de 500 mil pessoas aderiram ao bloqueio.

Em janeiro de 2026, foi publicado o Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, com orientações sobre acolhimento, acompanhamento e tratamento. O material está disponível para download no portal do Ministério da Saúde.

Mais recentemente, em 19 de junho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o Decreto nº 13.033, que reforça o combate ao mercado ilegal de apostas. Pela nova norma, valores confiscados de plataformas não autorizadas poderão ser direcionados ao enfrentamento do crime organizado.

Crédito da imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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