A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou seu terceiro relatório global sobre o atual conflito no Oriente Médio, apontando escalada de ofensivas contra unidades, profissionais e veículos de saúde em diversos países da região. O documento ressalta que a tendência, considerada violação do direito humanitário internacional, é particularmente acentuada no Líbano, onde hospitais e ambulâncias têm sido alvos frequentes.
Impacto imediato da violência
Segundo a análise, a intensificação dos ataques compromete o funcionamento de sistemas de saúde já sobrecarregados, colocando em risco pacientes, equipes médicas e o atendimento de emergências. O estudo destaca que, embora um cessar-fogo de duas semanas represente alívio momentâneo em partes do Irã, a trégua não trouxe o mesmo efeito ao Líbano e tampouco soluciona os desafios estruturais de toda a região.
Infraestrutura civil sob pressão
Além dos danos diretos a hospitais, a OMS identificou destruição significativa de instalações de energia e estações de dessalinização de água. Foram contabilizados quatro ataques contra usinas de dessalinização em Irã, Bahrein e Kuwait. Como vários países do Oriente Médio dependem desse processo para abastecimento, interromper a produção pode provocar escassez de água potável, fechamento temporário de unidades de saúde e aumento do risco de surtos de doenças transmitidas pela água.
Desafios logísticos e suprimentos
O relatório aponta que o acesso humanitário continua limitado por restrições ao espaço aéreo regional e por custos de transporte mais elevados. Essas barreiras dificultam a entrega de equipamentos e medicamentos, embora, até o momento, não tenham sido registradas faltas expressivas de insumos médicos essenciais. A produção global desses materiais permanece estável, segundo a agência.
Ameaças prioritárias à saúde
A OMS lista cinco riscos principais decorrentes da atual conjuntura: trauma e ferimentos relacionados ao conflito; interrupção no tratamento de doenças crônicas; dificuldades de deslocados para acessar cuidados; potencial disseminação de doenças em abrigos superlotados; e perigos radiológicos, nucleares ou químicos ligados a danos industriais e à poluição ambiental.
Resposta coordenada da OMS
Para mitigar esses riscos, a agência vem mapeando e classificando ameaças em colaboração com ministérios da Saúde e parceiros humanitários. A estratégia regional inclui coleta de dados em tempo real, planejamento de contingência e apoio técnico para garantir água segura, saneamento adequado e controle de qualidade do ar.
Entre as medidas operacionais em andamento estão:
Imagem: Internet
- Identificação de fontes alternativas de energia para hospitais e centros de referência, prevenindo interrupções em caso de falha da rede elétrica;
- Reforço da cobertura vacinal em localidades vulneráveis, para reduzir o risco de surtos;
- Fortalecimento dos sistemas de vigilância epidemiológica e dos mecanismos de alerta precoce;
- Implantação de clínicas móveis e serviços comunitários destinados a populações de difícil acesso.
Foco na continuidade dos serviços
Conforme a crise evolui, a OMS defende que parceiros humanitários priorizem não apenas atendimento de urgência, mas também a manutenção de serviços essenciais dentro e fora dos abrigos. A proposta inclui garantir tratamento contínuo para doenças não transmissíveis, assistência materno-infantil e suporte psicossocial, além de acompanhar necessidades específicas de pessoas internamente deslocadas.
Necessidade de apoio sustentável
A agência ressalta que a eficácia das ações depende de financiamento constante e da colaboração entre governos, organizações internacionais e sociedade civil. Informações confiáveis provenientes de profissionais no terreno são consideradas vitais para ajustar estratégias, enquanto a participação ativa das comunidades locais é vista como elemento decisivo para identificar demandas e avaliar resultados.
Embora o relatório reconheça o trabalho de agências humanitárias na mitigação de impactos imediatos, a OMS reforça que a proteção de instalações e trabalhadores da saúde deve ser prioridade absoluta dos atores envolvidos no conflito, em conformidade com o direito humanitário internacional.
Crédito da imagem: NASA/Jeff Schmaltz




