O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, voltou a defender a adoção de normas rígidas para a propaganda de plataformas de apostas esportivas on-line, conhecidas como “bets”. A declaração foi feita nesta sexta-feira (10), em São Paulo, após a inauguração do Centro de Ensino, Simulação e Inovação (Cesin) do Instituto do Coração (InCor), evento que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Padilha reiterou a posição de que o jogo on-line configura um problema de saúde pública, comparável ao tabagismo, e que por isso a publicidade do setor deve seguir parâmetros semelhantes aos aplicados à indústria do cigarro. “Defendo que se trate o problema das bets da mesma forma que tratamos o cigarro, enfrentando a questão da propaganda”, afirmou o ministro durante conversa com jornalistas.
O ministro recordou que o governo federal já obteve um avanço inicial ao impedir que crianças tenham acesso a apostas on-line, mas avaliou que ainda é necessário “dar um passo além” e estabelecer novas barreiras. Ele defende a aprovação, no Congresso Nacional, de dispositivos que proíbam a veiculação de campanhas publicitárias sobre apostas e limitem a exposição do público a esse tipo de conteúdo.
Na avaliação de Padilha, o patrocínio e a veiculação massiva de anúncios em eventos esportivos e mídias digitais favorecem o desenvolvimento de comportamentos compulsivos. Ao equiparar o vício em apostas ao vício em nicotina, ele lembrou que, antes da regulamentação do tabaco, a promoção de cigarros era direcionada a crianças e adolescentes e dominava arenas esportivas, a exemplo da Fórmula 1.
A preocupação do Ministério da Saúde, segundo o titular da pasta, concentra-se no potencial de causar dependência, endividamento e danos psicológicos, principalmente entre jovens. O objetivo, argumentou Padilha, é reduzir a exposição do público ao estímulo constante de apostar. Para isso, o ministro pretende mobilizar parlamentares a fim de aprovar legislação que restrinja ou até mesmo proíba a propaganda de casas de apostas em todas as mídias, reproduzindo a estratégia que, no passado, contribuiu para a queda do consumo de cigarros no país.
A discussão sobre a regulamentação das bets tem avançado desde que o governo publicou, em 2025, decreto que obriga as empresas a obter autorização para operar no território nacional e a contribuir com tributos específicos. Mesmo com esse marco regulatório, a publicidade permanece liberada, ressalta Padilha, o que, em sua visão, exige tratamento legislativo adicional para proteger grupos vulneráveis.
Na quinta-feira (9), o ministro já havia abordado o tema em entrevista ao programa “Alô Alô Brasil”, da Rádio Nacional, apresentado por José Luiz Datena. Na ocasião, reforçou a necessidade de adotar medidas mais severas para limitar a exposição a campanhas de apostas, citando exemplos de outras políticas públicas bem-sucedidas contra o tabagismo.
Além do debate sobre as apostas on-line, Padilha falou brevemente sobre o aumento da fiscalização de medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras”. Ele informou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) intensificou o controle desses produtos, amplamente procurados para perda de peso.
Imagem: Radar da Saude 1
O ministro alertou que parte da produção dessas canetas ocorre em farmácias de manipulação que, na prática, funcionam como indústrias de médio porte. Segundo ele, esses estabelecimentos precisam ser submetidos às mesmas exigências regulatórias impostas às fábricas farmacêuticas tradicionais. O objetivo é garantir a segurança dos usuários quanto à qualidade, à procedência dos insumos e às dosagens.
Padilha defendeu ainda a ampliação do acompanhamento técnico de receitas e da vigilância sobre a comercialização desses medicamentos, a fim de evitar irregularidades e proteger a população de eventuais riscos associados ao uso inadequado ou sem indicação médica.
Durante a cerimônia no InCor, o presidente Lula ressaltou que a criação do Cesin busca aprimorar a formação de profissionais de saúde e ampliar a oferta de pesquisas na área cardiovascular. O centro utilizará tecnologia de simulação para treinamento prático de estudantes, residentes e equipes multiprofissionais.
Ao fim do evento, Padilha reforçou que a pauta da saúde pública deve considerar tanto doenças clássicas quanto problemas emergentes ligados a hábitos de consumo contemporâneos, como o jogo on-line e o uso indiscriminado de medicamentos para emagrecimento. O ministro disse esperar que o debate legislativo avance nas próximas semanas e que as medidas propostas possam ser implementadas em curto prazo.
Crédito da imagem: Paulo Pinto/Agência Brasil



