Recurso da Ypê suspende, por ora, bloqueio da Anvisa, mas órgão mantém alerta aos consumidores

A apresentação de um recurso administrativo pela Química Amparo, responsável pela marca Ypê, suspendeu temporariamente os efeitos da decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que, em 7 de maio, havia proibido a fabricação, distribuição e venda de 23 produtos da companhia. Apesar do efeito suspensivo automático previsto no artigo 17 da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 266/2019, a Anvisa mantém o alerta de risco sanitário e recomenda que consumidores não utilizem itens de lotes terminados em “1”.

Com a interposição do recurso, permanecem liberadas, até novo posicionamento da autoridade reguladora, as linhas de lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido e desinfetantes produzidas na unidade de Amparo (SP). A empresa afirma que o pedido de revisão reforça compromissos assumidos em plano de ação encaminhado ao órgão e traz esclarecimentos técnicos que, segundo a fabricante, demonstrariam a segurança de suas operações.

A Anvisa, contudo, declara que o entendimento técnico sobre falhas graves na linha produtiva permanece inalterado. O julgamento definitivo caberá à Diretoria Colegiada e deve ocorrer nos próximos dias. Até lá, o órgão orienta que supermercados, distribuidores e consumidores finais verifiquem a numeração dos lotes antes do uso ou comercialização dos produtos.

Entre as falhas apuradas na inspeção que motivou a decisão original estão problemas de controle de qualidade, descumprimento de etapas críticas de fabricação e deficiência em sistemas de garantia sanitária. A agência considera esses requisitos essenciais para proteger a saúde pública, razão pela qual emitiu a Resolução nº 1.834/2026 com a lista dos produtos e lotes afetados.

Os seguintes itens, quando identificados com número de lote final “1”, continuam sob recomendação de não uso pela Anvisa:

  • Lava Louças Ypê Clear Care
  • Lava Louças com Enzimas Ativas Ypê
  • Lava Louças Ypê
  • Lava Louças Ypê Toque Suave
  • Lava Louças Concentrado Ypê Green
  • Lava Louças Ypê Clear
  • Lava Louças Ypê Green
  • Lava Roupas Líquido Tixan Ypê Combate Mau Odor
  • Lava Roupas Líquido Tixan Ypê Cuida das Roupas
  • Lava Roupas Líquido Tixan Ypê Antibac
  • Lava Roupas Líquido Tixan Ypê Coco e Baunilha
  • Lava Roupas Líquido Tixan Ypê Green
  • Lava Roupas Líquido Ypê Express
  • Lava Roupas Líquido Ypê Power ACT
  • Lava Roupas Líquido Ypê Premium
  • Lava Roupas Tixan Maciez
  • Lava Roupas Tixan Primavera
  • Desinfetante Bak Ypê
  • Desinfetante de Uso Geral Atol
  • Desinfetante Perfumado Atol
  • Desinfetante Pinho Ypê
  • Lava Roupas Tixan Power ACT

A agência determina que a própria empresa oriente os consumidores, por meio de seu Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC), acerca de procedimentos de recolhimento, troca, devolução, ressarcimento e demais providências necessárias. Caso os itens já estejam em posse do cliente, a recomendação é suspender o uso até a conclusão da análise do recurso.

Essa não é a primeira vez que a marca enfrenta questionamentos sanitários. Em novembro de 2025, a Ypê iniciou recolhimento voluntário de determinados lotes de lava-roupas líquidos após detectar a bactéria Pseudomonas aeruginosa. Na ocasião, a própria companhia divulgou comunicados sobre riscos à saúde e instruiu consumidores sobre troca ou devolução dos produtos afetados.

Recurso da Ypê suspende, por ora, bloqueio da Anvisa, mas órgão mantém alerta aos consumidores - Radar da Saude 1

Imagem: Radar da Saude 1

Paralelamente, as vigilâncias sanitárias estaduais e municipais receberam orientação para intensificar a fiscalização em pontos de venda, com o objetivo de impedir que lotes irregulares permaneçam no mercado. A Anvisa reforça que, apesar da suspensão temporária da medida cautelar, continua a monitorar o cumprimento de boas práticas de fabricação na planta de Amparo.

A Química Amparo declarou, em nota, manter diálogo permanente com a agência para “buscar solução definitiva” e assegurar a normalização total das atividades. Até a deliberação final, a empresa segue autorizada a produzir e distribuir os itens sob análise, mas permanece responsável por informar corretamente clientes, varejistas e distribuidores sobre eventuais riscos ou procedimentos de recall.

A deliberação colegiada que decidirá sobre a manutenção ou revogação definitiva da suspensão ainda não tem data anunciada. Caso o recurso seja negado, a proibição de fabricar e comercializar os 23 produtos voltará a valer imediatamente. Se for acolhido, a companhia deverá cumprir as condicionantes que forem estabelecidas pela Anvisa para comprovar a adequação de seus processos.

Crédito da imagem: Torvim/stock.adobe.com

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