A 79ª Assembleia Mundial da Saúde reuniu Estados-membros da Organização Mundial da Saúde (OMS) e parceiros internacionais para renovar o compromisso com a Agenda de Imunização 2030 (AI2030), estratégia lançada em 2020 com o objetivo de ampliar o acesso equitativo às vacinas ao longo da vida. O encontro, realizado em Genebra, redefiniu metas para o período de 2025 a 2030, considerando os impactos provocados pela pandemia de Covid-19 e o recente ressurgimento de doenças evitáveis.
Durante as discussões, delegações alertaram para a reaparição de febre amarela, difteria e sarampo em várias regiões, fenômeno que expôs fragilidades na vigilância epidemiológica e na cobertura vacinal. Relatório apresentado na sessão apontou que, desde 2020, programas humanitários dedicados à imunização registram estagnação ou redução de financiamento, comprometendo a continuidade de campanhas e a distribuição regular de doses. Sem recursos adequados e respaldo político, os países estimam risco elevado de retrocesso nos avanços obtidos na última década.
A diminuição no orçamento afeta especialmente nações de baixa e média renda, onde interrupções logísticas e escassez de profissionais de saúde se combinam com o crescimento da desinformação sobre imunizantes. Entre 2020 e 2024, a proliferação de teorias conspiratórias, a resistência motivada por crenças religiosas, baixos índices de alfabetização e fatores sociodemográficos contribuíram para queda na confiança da população. O documento destaca que, após a Covid-19, aumentaram preocupações específicas sobre possíveis efeitos colaterais, sobretudo entre pais e responsáveis por crianças pequenas.
Autoridades sanitárias reconheceram que o enfraquecimento da credibilidade científica exige abordagens mais robustas de comunicação pública. Delegados solicitaram investimento em campanhas baseadas em evidências, participação de líderes comunitários e utilização de registros digitais para rastrear coberturas vacinais em tempo real. A OMS respondeu anunciando prioridade à recuperação da confiança e ao alcance de crianças que ainda não receberam nenhuma dose, classificadas como "zero dose". A organização também se comprometeu a implementar as recomendações do relatório na fase seguinte da agenda.
Outro ponto central dos debates foi a dependência de cadeias globais de suprimentos. Vários países defenderam o fortalecimento da capacidade regional de produção de vacinas, medida considerada essencial para reduzir vulnerabilidades expostas durante emergências sanitárias recentes. A expansão de parques fabris, a diversificação de fornecedores e a transferência de tecnologia foram listadas como condições para assegurar resposta mais ágil a futuras ameaças.
Com base nessas discussões, a Assembleia estabeleceu objetivos específicos para o segundo quinquênio da AI2030. Entre eles estão a introdução de novos imunizantes recomendados pela OMS, como vacinas contra patógenos respiratórios emergentes, a modernização de plataformas de vigilância epidemiológica e a integração de sistemas eletrônicos de informação. Também foi aprovada a meta de fortalecer esquemas de vacinação ao longo de toda a vida, contemplando não apenas crianças, mas adolescentes, adultos e idosos.
Para garantir alcance universal, os Estados-membros concordaram em intensificar o engajamento comunitário, por meio de parcerias com organizações da sociedade civil e profissionais da atenção primária. As propostas incluem treinamento contínuo de trabalhadores de saúde, aprimoramento da coleta de dados e adoção de estratégias diferenciadas para populações de difícil acesso. Indicadores de desempenho serão revisados anualmente, permitindo ajustes rápidos nas táticas de implantação.
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Em relação ao financiamento, a assembleia endossou a busca de mecanismos inovadores que combinem recursos domésticos, colaboração bilateral e apoio de organismos multilaterais. Delegações enfatizaram que evitar novos surtos depende da previsibilidade orçamentária e do compartilhamento de responsabilidade entre governos, setor privado e fundações filantrópicas.
Ao final, a OMS reiterou que a recuperação pós-pandemia oferece oportunidade para reconectar sistemas de saúde, atualizar calendários de imunização e acelerar a adoção de tecnologias digitais. A entidade reforçou que o sucesso da AI2030 exigirá monitoramento contínuo, transparência nas metas e ação coordenada para enfrentar tanto barreiras logísticas quanto a disseminação de informações falsas.
Com a resolução aprovada, a preparação para o próximo ciclo de avaliações começa imediatamente. Estados-membros deverão apresentar, nos próximos doze meses, planos nacionais alinhados às novas metas, detalhando fontes de financiamento, cronogramas de entrega de vacinas e estratégias de comunicação focadas na restauração da confiança pública.
Crédito da imagem: UNICEF/Dawali David




