O líder indígena Raoni Metukire, de 94 anos, passou neste sábado (20) por um procedimento cirúrgico destinado a remover uma obstrução intestinal. A intervenção ocorreu no Hospital São Paulo (HSP), vinculado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na capital paulista. Segundo boletim divulgado pela instituição, o procedimento foi programado para o período da tarde, após avaliação de especialistas que acompanham o quadro clínico do paciente.
Raoni está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HSP desde a noite de sexta-feira (19). De acordo com informações repassadas pela equipe médica, ele passou a madrugada afebril e sem necessidade de ventilação mecânica. O cacique recebe antibioticoterapia e demais medidas de suporte clínico, consideradas essenciais para estabilizar as complicações decorrentes da obstrução intestinal identificada na admissão hospitalar.
No momento da chegada ao hospital da Unifesp, o quadro de saúde incluía, além da obstrução, sinais de desidratação e um diagnóstico de pneumonia aspirativa. Embora os médicos classificassem a condição como grave, o estado geral de Raoni era descrito como estável, permitindo a preparação para a cirurgia eletiva realizada neste sábado.
Antes do traslado para São Paulo, o líder indígena estava internado no Hospital Maternidade Dois Pinheiros, localizado em Sinop, no norte de Mato Grosso. A transferência aérea ocorreu na sexta-feira (19), mobilizando equipes de saúde para garantir a segurança do deslocamento de aproximadamente 900 quilômetros até a capital paulista. A decisão de transferir o paciente baseou-se na necessidade de recursos avançados de cirurgia digestiva e terapia intensiva disponíveis no complexo hospitalar paulista.
O acompanhamento clínico em São Paulo é conduzido pelo médico cirurgião Franz Robert Apodaca Torrez, que também atua como professor na Escola Paulista de Medicina da Unifesp. Ele lidera a equipe responsável pela cirurgia de desobstrução, bem como pela monitorização pós-operatória. Detalhes sobre eventuais achados intraoperatórios, tempo de duração do procedimento ou necessidade de novas intervenções não foram divulgados até o momento da emissão do último boletim.
Segundo a nota oficial do hospital, a antibioticoterapia foi iniciada logo após a admissão, visando controlar a pneumonia aspirativa e prevenir infecções associadas à obstrução intestinal. Além disso, foram implementadas medidas de reidratação venosa para corrigir o déficit hídrico observado em exames laboratoriais iniciais. O boletim informa que o cacique permanece sob observação contínua, com monitorização de sinais vitais e de parâmetros respiratórios.
Equipes multiprofissionais, compostas por cirurgiões, intensivistas, infectologistas, nutricionistas e fisioterapeutas, participam do planejamento terapêutico. O objetivo é reduzir o risco de complicações pós-operatórias típicas em pacientes idosos, como infecções secundárias, desequilíbrios metabólicos e dificuldades de mobilidade. A expectativa é que novas informações sobre a evolução clínica sejam divulgadas após a conclusão do período imediato de recuperação na UTI.
Imagem: Radar da Saúde
O cacique Raoni é reconhecido internacionalmente por sua atuação na defesa dos direitos dos povos indígenas e na preservação da Floresta Amazônica. Embora a relevância política e cultural de sua liderança seja amplamente conhecida, a equipe médica ressaltou que, nesta fase, a prioridade recai exclusivamente sobre o monitoramento da saúde do paciente. Por questões de confidencialidade e respeito à privacidade familiar, o hospital não informou previsões de alta ou detalhes sobre visitas.
A logística para o transporte entre Mato Grosso e São Paulo envolveu a coordenação de serviços de emergência aeromédica, bem como o fornecimento contínuo de suporte médico durante o voo. De acordo com profissionais envolvidos, o cacique manteve condições hemodinâmicas estáveis durante todo o trajeto, fato que contribuiu para a rápida admissão e o início do protocolo terapêutico na unidade paulista.
As próximas etapas do tratamento incluirão, além do acompanhamento cirúrgico, avaliações respiratórias e nutricionais frequentes, dada a presença prévia de pneumonia aspirativa e o risco de perda de peso associado a períodos prolongados de jejum. A equipe deverá definir, nos próximos dias, quando será possível iniciar a reintrodução gradual de dieta enteral ou oral, conforme os resultados dos exames de imagem e a resposta clínica ao procedimento de desobstrução.
Novo boletim médico deve ser divulgado pelo Hospital São Paulo assim que houver atualização significativa no estado de saúde do paciente, o que poderá envolver resultados de exames pós-operatórios, previsão de transferência da UTI para unidade de internação ou indicação de fisioterapia intensiva. Até lá, Raoni Metukire permanecerá sob cuidados especializados, com atenção voltada para a recuperação plena das funções intestinais e respiratórias.
Crédito da imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil




