O líder indígena Raoni Metukire, de 94 anos, foi submetido a uma cirurgia para correção de obstrução intestinal no Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na capital paulista, na tarde de sábado, 20. O procedimento foi realizado com técnica minimamente invasiva, transcorreu sem intercorrências e, segundo a equipe médica, atingiu o objetivo de restabelecer o fluxo normal do trato digestivo.
Concluída a intervenção, o cacique foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do mesmo hospital. No setor de cuidados intensivos, permanece em recuperação pós-operatória, recebendo suporte clínico para tratar não apenas os efeitos imediatos da cirurgia, mas também um quadro de desidratação associado a pneumonia aspirativa previamente identificada. De acordo com boletim divulgado neste domingo, 21, a internação na UTI tem caráter preventivo, permitindo monitoramento contínuo de sinais vitais e pronta resposta a qualquer alteração.
As informações sobre a evolução do quadro de saúde estão sendo repassadas pelo Instituto Raoni, entidade que acompanha o líder indígena e centraliza a comunicação oficial. Em nota divulgada nas redes sociais, o instituto informou que a operação foi considerada bem-sucedida pela equipe cirúrgica e ressaltou o agradecimento às manifestações de solidariedade recebidas ao longo dos últimos dias. O comunicado destacou, ainda, que o cacique seguirá em observação intensiva até que os médicos avaliem condições seguras para transferência a unidade de internação de menor complexidade.
A decisão de operar em São Paulo foi tomada após período inicial de tratamento no Hospital Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop, no norte de Mato Grosso. Internado na unidade mato-grossense com sinais de distensão abdominal e desconforto, Raoni apresentou piora progressiva, levando a equipe de plantão a recomendar transferência para centro de referência em cirurgia digestiva e terapia intensiva. A remoção aérea para a capital paulista ocorreu na sexta-feira, 19, mobilizando equipe de transporte especializada e suporte médico durante todo o trajeto.
Responsável direto pelo ato cirúrgico, o médico Franz Robert Apodaca Torrez, cirurgião e professor da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, liderou o grupo multiprofissional envolvido no atendimento. Sob coordenação do especialista, os profissionais optaram por abordagem laparoscópica, método que reduz o trauma cirúrgico, diminui o risco de infecção e tende a acelerar a recuperação, especialmente em pacientes idosos. Após a intervenção, o cirurgião indicou manutenção em ventilação espontânea, sem necessidade de suporte respiratório mecânico.
Além do acompanhamento cirúrgico, o plano de cuidado inclui hidratação venosa intensificada, antibioticoterapia para controle da pneumonia aspirativa e fisioterapia respiratória. O protocolo tem como objetivo estabilizar o estado clínico geral e prevenir complicações frequentes nesse tipo de quadro, como infecções secundárias ou novo episódio de obstrução intestinal. Até o momento, de acordo com nota oficial, não foram registradas intercorrências relevantes no pós-operatório imediato.
Raoni Metukire é reconhecido como uma das principais lideranças indígenas do país e tem histórico de saúde que inspira atenção redobrada da equipe médica, sobretudo devido à idade avançada. A permanência em ambiente de terapia intensiva permite a realização de exames laboratoriais seriados, avaliação cardiológica contínua e suporte nutricional especializado, fatores considerados determinantes para o sucesso da reabilitação.
Imagem: Radar da Saúde
Segundo o Instituto Raoni, novas informações sobre o quadro clínico serão divulgadas conforme evolução. A entidade reforçou a orientação para que eventuais visitas sejam suspensas até liberação da equipe hospitalar, medida adotada para reduzir riscos de infecção e garantir tranquilidade ao processo de recuperação. Familiares próximos permanecem atualizados pelos profissionais de saúde e pela própria instituição que representa o cacique.
Não há, por enquanto, previsão oficial para alta da UTI ou transferência a enfermaria. Esse tipo de definição depende da resposta do organismo ao tratamento da pneumonia aspirativa, da normalização dos parâmetros de hidratação e da recuperação plena do peristaltismo intestinal. A equipe médica afirmou que somente após a consolidação desses indicadores será possível estimar data para liberação hospitalar.
Enquanto permanece sob cuidados intensivos em São Paulo, Raoni segue recebendo mensagens de apoio de diversas partes do país, inclusive de comunidades indígenas, organizações da sociedade civil e autoridades. O Instituto Raoni reiterou que todo contato institucional deve ser encaminhado à assessoria da entidade, que por sua vez repassará conteúdos pertinentes às equipes responsáveis pelo atendimento. O hospital confirmou que qualquer novo boletim será divulgado de forma conjunta com a família e os representantes do cacique.
Crédito da imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil



