O Hospital Graacc, referência nacional no tratamento oncológico pediátrico, inaugurou um acelerador linear de última geração que deverá elevar de 150 para até 250 o número de pacientes atendidos mensalmente em sessões de radioterapia. O equipamento, modelo Versa HD da fabricante sueca Elekta, exigiu investimento aproximado de R$ 9 milhões e substitui o aparelho anteriormente em uso na instituição, situada na capital paulista.
A entrega ocorreu na quinta-feira, 16 de abril de 2026, durante visita do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Segundo a pasta, a aquisição integra o programa federal que financia terapias de alto custo e busca distribuir ao menos um acelerador linear moderno em cada unidade da Federação até o fim deste ano. O único estado que ainda não colocou o dispositivo em funcionamento é Roraima, mas os equipamentos já foram enviados, de acordo com o ministro.
O novo acelerador proporciona feixes de radiação com precisão métrica na ordem de milímetros, fator considerado crucial no tratamento de crianças, cujo organismo é mais sensível a doses excessivas. De acordo com o diretor-executivo do hospital, André Negrão, o aparelho reduz o tempo de cada sessão e diminui a exposição total do paciente à radiação, repercutindo em menor frequência e intensidade de efeitos colaterais.
No momento, a equipe do Graacc utiliza o dispositivo em 15 crianças. A meta imediata é retomar a velocidade de atendimento anterior, que alcançava 150 pacientes por mês, e, em seguida, operar na capacidade plena projetada de 250 pacientes mensais. O salto deve contribuir para reduzir filas e antecipar o início de terapias, etapa considerada determinante para o sucesso dos protocolos oncológicos.
A modernização também faz parte do programa Agora Tem Especialistas, que reajustará em 30% o valor repassado por sessão de radioterapia de alta complexidade às unidades habilitadas. O Ministério da Saúde afirma que o aumento do repasse busca compensar custos operacionais elevados e incentivar a adoção de tecnologias mais eficazes.
Além do Graacc, o Hospital São Paulo, ligado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), colocou em operação, no mesmo dia, outro acelerador linear financiado pelo programa federal. Com isso, já somam 13 os aparelhos instalados dentro dessa iniciativa, de um total de 20 previstos para ampliar a rede pública e filantrópica de tratamento oncológico no país.
A difusão dos equipamentos cria demanda por mão de obra qualificada. Segundo o Ministério da Saúde, os novos centros devem funcionar como polos de formação para médicos residentes, físicos médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e técnicos em radiologia, contribuindo para ampliar o número de profissionais aptos a lidar com terapias complexas.
Paralelamente, a pasta aposta em estratégias de telemedicina para agilizar diagnósticos. Convênio firmado com o Hospital A.C. Camargo, também na capital paulista, permite que amostras de biópsias sejam digitalizadas e avaliadas por anatomopatologistas especializados a distância. Em algumas regiões, o tempo médio para confirmação de câncer, que chegava a seis meses, caiu para aproximadamente duas semanas, segundo o ministro Padilha. A redução do intervalo entre suspeita clínica e início do tratamento é apontada como fator-chave para elevar as taxas de sobrevida em oncologia pediátrica.
Imagem: Radar da saúde 7
No caso do Graacc, a maior precisão do Versa HD possibilita tratamentos mais conformais, nos quais a radiação é distribuída de forma a preservar tecidos saudáveis ao redor do tumor. Essa característica, combinada à execução de sessões mais curtas, promete melhorar a experiência do paciente, já que crianças costumam necessitar de sedação para permanecerem imóveis durante o procedimento.
O hospital planeja readequar escalas de atendimento e fluxos internos para explorar integralmente a nova capacidade. A administração avalia que o acréscimo poderá absorver demandas reprimidas não apenas da Grande São Paulo, mas de outras regiões que encaminham pacientes via Sistema Único de Saúde (SUS) ou por meio de convênios com secretarias estaduais.
Responsável por cerca de 3% dos casos novos de câncer no país, o público infantil exige abordagens específicas e infraestrutura adaptada. Tecnologias como a incorporada pelo Graacc permitem aplicar doses terapêuticas eficazes sem comprometer órgãos em desenvolvimento, destacar médicos e gestores. A expectativa é que a combinação de equipamentos de alto desempenho, capacitação profissional e diagnóstico acelerado resulte em prognósticos mais favoráveis.
No cenário nacional, a expansão dos aceleradores lineares faz parte de um conjunto de ações destinadas a reforçar a rede oncológica. Além da compra de máquinas, o Ministério da Saúde trabalha na atualização de protocolos clínicos, revisão de tetos financeiros destinados a hospitais habilitados em oncologia e integração de sistemas de informação para monitorar indicadores de desempenho e sobrevida.
A previsão do governo federal é concluir a instalação de todos os 20 aceleradores do programa até dezembro de 2026, criando uma malha de cobertura que permita acesso mais equitativo a tratamentos de radioterapia. Com a entrada em operação do aparelho do Graacc, avança-se mais um passo no objetivo de universalizar tecnologias consideradas padrão-ouro no enfrentamento ao câncer infantil.
Crédito da imagem: Paulo Pinto/Agência Brasil




