Médico e enfermeira são detidos em clínica do Rio por comércio de medicamentos proibidos

Um médico proprietário de uma clínica e a enfermeira responsável técnica do estabelecimento foram presos em flagrante durante ação da Delegacia do Consumidor (Decon) na manhã desta quarta-feira (8), em São Conrado, zona sul do Rio de Janeiro. A diligência integrou mais uma fase da Operação Monjauro, que apura a comercialização e a aplicação de medicamentos irregulares no estado.

Localizada na Estrada do Joá, a clínica vinha sendo alvo de monitoramento de inteligência da Polícia Civil. Agentes da Decon, acompanhados por peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), entraram no imóvel para verificação de rotina e encontraram grande quantidade de substâncias de uso restrito ou proibido. Entre os itens apreendidos estavam canetas emagrecedoras vetadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), hormônios sem registro e lotes de medicamentos com prazo de validade expirado. Toda a carga foi recolhida para perícia.

Diante do volume e da natureza dos produtos, os policiais confirmaram indícios de crime contra a ordem tributária e contra as relações de consumo. O médico, proprietário do local, e a enfermeira, apontada como responsável técnica, receberam voz de prisão no próprio consultório. Ambos foram conduzidos à Cidade da Polícia, onde foram autuados e ficaram à disposição da Justiça. A Secretaria de Estado de Polícia Civil informou que a dupla responderá pelos mesmos tipos penais aplicados a outros investigados na operação.

As investigações indicam que parte significativa dos medicamentos apreendidos teria origem na cidade de São Paulo. A equipe da Decon continua a mapear a rota de distribuição para identificar fornecedores, intermediários e demais integrantes da cadeia criminosa. Segundo a Polícia Civil, o objetivo é alcançar todos os responsáveis pelo ingresso e circulação das substâncias ilícitas no mercado fluminense, além de interromper o fluxo de produtos sem registro sanitário.

A Operação Monjauro concentra-se em grupos que atuam na venda, divulgação e aplicação de medicamentos não autorizados, principalmente emagrecedores, anabolizantes e hormônios. A etapa realizada hoje não foi a primeira a resultar em prisões. Na segunda-feira (6), agentes já haviam detido um casal flagrado com lote semelhante de produtos terapêuticos e canetas emagrecedoras de procedência desconhecida. O material, igualmente sem autorização da Anvisa, foi confiscado e encaminhado para análise laboratorial.

Médico e enfermeira são detidos em clínica do Rio por comércio de medicamentos proibidos - Radar da Saúde 20

Imagem: Radar da Saúde 20

Com base nas informações colhidas nas duas ações, a Decon trabalha para consolidar um inquérito único que reúna provas sobre oferta irregular, falsificação e sonegação fiscal envolvendo o comércio clandestino desses medicamentos. A polícia apura ainda se clínicas de estética e profissionais autônomos recebiam comissão para indicar ou aplicar as substâncias nos clientes. A hipótese é de que o grupo mantinha uma rede de distribuição paralela, com anúncios principalmente em redes sociais e aplicativos de mensagens.

Os investigadores reforçam que o uso de fármacos sem registro ou fora das indicações oficiais pode acarretar riscos severos à saúde, incluindo reações adversas graves, intoxicação e complicações cardiovasculares. A Polícia Civil frisou que continuará realizando inspeções em clínicas, consultórios e pontos de venda informais a fim de coibir a prática. Denúncias anônimas sobre comércio clandestino de medicamentos podem ser encaminhadas ao Disque-Denúncia, pelo número (21) 2253-1177, ou diretamente à Delegacia do Consumidor.

Crédito da imagem: Tânia Rêgo/Arquivo/Agência Brasil

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