A Organização da Aviação Civil Internacional (Icao) informou que o atual surto de ebola registrado na República Democrática do Congo não representa ameaça à segurança dos voos comerciais. O posicionamento foi divulgado nesta segunda-feira depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificar como baixo o risco de transmissão do vírus por meio do transporte aéreo.
Recomendações mantêm fronteiras abertas
De acordo com a Icao, a orientação sanitária em vigor não recomenda o fechamento de fronteiras nem a imposição de restrições ao tráfego aéreo ou ao comércio. As diretrizes seguem o mesmo padrão adotado entre 2014 e 2016, quando o continente africano enfrentou um surto prolongado da doença. A agência das Nações Unidas sublinhou, porém, que governos, companhias aéreas e demais setores ligados ao turismo e aos transportes devem aplicar o protocolo de prevenção e mitigação de risco definido pela OMS.
Cooperação entre autoridades e setor de aviação
As recomendações enfatizam a necessidade de trabalho conjunto entre órgãos nacionais de saúde, operadoras aeroportuárias, empresas aéreas, autoridades de fronteira e serviços de turismo. O objetivo é garantir a identificação rápida de casos suspeitos, a adoção de medidas de isolamento e a condução segura de eventuais evacuações médicas.
Triagem seletiva nas áreas afetadas
Pela orientação da OMS, não há exigência de triagem de entrada para passageiros que decolam de áreas de risco e desembarcam em países fora das regiões afetadas. Quando o destino é um território sem circulação ativa do vírus, o procedimento é considerado dispensável. Já em nações com transmissão confirmada, a triagem à saída de aeroportos pode ser implantada para pessoas que apresentem sintomas compatíveis com a variante Bundibugyo, como febre, fadiga extrema, vômitos ou diarreia.
Os viajantes identificados com sinais da doença devem ser encaminhados a serviços de saúde para confirmação diagnóstica e, se necessário, permanecer em isolamento. A OMS reforça que casos confirmados ou contatos próximos não devem efetuar deslocamentos internacionais, exceto em situações de evacuação médica organizada, que incluem transporte em condições de biossegurança e cuidados especializados durante todo o trajeto.
Formas de transmissão limitam risco em aeronaves
O vírus ebola é transmitido principalmente pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, vivos ou mortos. Essa forma de contágio, segundo a OMS, torna pouco provável a disseminação em cabines de aeronaves, onde o passageiro médio tem exposição limitada a fluidos de terceiros. Mesmo assim, as companhias são orientadas a reforçar protocolos de limpeza, a equipar tripulações com kits de proteção e a notificar autoridades sanitárias sobre passageiros sintomáticos.
Imagem: Internet
Números atualizados do surto
Até agora, autoridades congolesas registraram mais de 900 casos suspeitos da cepa Bundibugyo em território nacional e 220 mortes possivelmente relacionadas à infecção. Em comunicado na manhã desta segunda-feira, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, confirmou 101 casos laboratoriais e 10 óbitos na República Democrática do Congo. No vizinho Uganda, dois profissionais de saúde com teste positivo elevaram o total de infecções confirmadas para sete, incluindo uma morte.
Medidas adicionais em curso
Além da triagem, a OMS recomenda ampliar a vigilância epidemiológica, rastrear contatos próximos de pacientes, reforçar práticas de prevenção e controle de infecções em unidades de saúde e intensificar o engajamento comunitário. Essas ações visam interromper as cadeias de transmissão, proteger profissionais de saúde e oferecer informações confiáveis à população local e a viajantes.
A Icao ressalta que, enquanto as diretrizes forem observadas, o tráfego aéreo internacional pode continuar operando normalmente. A agência acompanhará as atualizações emitidas pela OMS e poderá ajustar as orientações caso haja mudança no nível de alerta ou no padrão de disseminação do vírus.
Crédito da imagem: OMS




