Dourados declara calamidade em saúde por chikungunya e inicia vacinação na segunda-feira

A Prefeitura de Dourados, em Mato Grosso do Sul, assinou novo decreto que reconhece situação de calamidade em saúde pública em razão da epidemia de chikungunya. O ato, publicado após orientação do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), terá validade de 90 dias e sucede dois decretos anteriores que já haviam instituído, em março, estado de emergência em saúde e em defesa civil.

Até o momento, o município registra avanço da doença em ritmo acelerado. O boletim mais recente indica 6.186 casos prováveis, taxa de positividade de 64,9% e sobrecarga da rede hospitalar, com ocupação de leitos em torno de 110%. Inicialmente restritos à Reserva Indígena de Dourados, os contágios se espalharam para bairros urbanos, ampliando a pressão sobre os serviços assistenciais.

Vacinação começa na próxima segunda

A campanha de imunização contra chikungunya terá início na segunda-feira, 27 de abril. O primeiro lote de vacinas chegou na noite de 17 de abril e ficará armazenado até a distribuição, prevista para sexta-feira (24), a todas as salas de vacinação, inclusive nas unidades de saúde indígena.

Antes do início oficial, a prefeitura realiza, nesta quarta (22) e quinta-feira (23), capacitação de equipes de enfermagem. O objetivo é orientar sobre contraindicações, triagem clínica e abordagem de pessoas com comorbidades. O município pretende vacinar 27% da população elegível, cerca de 43 mil moradores.

Público-alvo e restrições

Conforme diretrizes do Ministério da Saúde, a dose será aplicada apenas em adultos de 18 a 59 anos. Estão impedidos de receber o imunizante:

  • gestantes e lactantes;
  • usuários de imunossupressores, como corticóides em altas doses;
  • pessoas com imunodeficiência congênita;
  • pacientes em quimioterapia ou radioterapia;
  • transplantados de órgão sólido;
  • transplantados de medula óssea há menos de dois anos;
  • pessoas vivendo com HIV/aids;
  • portadores de doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide;
  • indivíduos com pelo menos duas doenças crônicas simultâneas, entre elas diabetes, hipertensão, insuficiências cardíaca ou renal, doença pulmonar crônica, obesidade, doença hepática crônica ou câncer.

A vacina também será adiada para quem teve chikungunya nos últimos 30 dias, apresenta febre alta, recebeu imunizante de vírus atenuado nas quatro semanas anteriores ou vacina de vírus inativado nos 14 dias anteriores.

Por envolver avaliação clínica prévia, a aplicação deverá ocorrer de forma mais lenta. Além das unidades fixas, está programada ação em sistema drive-thru no feriado de 1º de maio, das 8h às 12h, no pátio da prefeitura.

Imunizante aprovado em 2025

Autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2025, a vacina integra estratégia federal para áreas com risco elevado de transmissão. Ao todo, cerca de 20 municípios em seis estados foram selecionados, considerando cenário epidemiológico, tamanho populacional e capacidade operacional para introduzir um novo imunizante no curto prazo.

Dourados declara calamidade em saúde por chikungunya e inicia vacinação na segunda-feira - Radar da Saúde 15

Imagem: Radar da Saúde 15

Situação epidemiológica

Levantamento fechado em 20 de abril aponta 4.972 casos prováveis, 2.074 confirmações laboratoriais, 1.212 descartes e 2.900 ocorrências ainda em investigação. O município contabiliza oito óbitos associados à chikungunya; sete deles ocorreram entre moradores da reserva indígena.

Reforço financeiro federal

Para apoiar ações locais de vigilância, controle do Aedes aegypti e atendimento a pacientes, o Ministério da Saúde liberou, no fim de março, repasse emergencial de R$ 900 mil ao Fundo Municipal de Saúde. O valor será transferido em parcela única e poderá financiar desde a intensificação do monitoramento epidemiológico até a qualificação de equipes assistenciais.

Sobre a doença

A chikungunya é uma arbovirose transmitida no país, até o momento, pelo mosquito Aedes aegypti. Introduzido nas Américas em 2013, o vírus foi detectado no Brasil no ano seguinte e, desde então, circula em todos os estados. Em 2023, o Ministério da Saúde observou expansão significativa de casos, sobretudo no Sudeste, região que antes apresentava baixa incidência.

Os sintomas incluem febre, dor e edema articulares intensos e, em alguns pacientes, manifestações extra-articulares. Formas graves podem exigir internação e evoluir para óbito.

Crédito da imagem: Butantã/Divulgação

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