Relatório da OMS mostra avanço acelerado da inteligência artificial nos sistemas de saúde da União Europeia

Mais da metade dos 27 Estados-membros da União Europeia já emprega ferramentas de diagnóstico apoiadas por inteligência artificial em hospitais, clínicas e laboratórios. A constatação faz parte de um relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que analisou a adoção de tecnologias de IA na área da saúde entre junho de 2024 e março de 2025. O levantamento abrangeu estratégias nacionais, marcos jurídicos, governança de dados e capacitação de profissionais, indicando que a tecnologia está redesenhando processos assistenciais em todo o bloco.

Segundo o estudo, os aplicativos de IA mais disseminados concentram-se na detecção de doenças, na interpretação de exames de imagem e no suporte à decisão clínica. Na prática, algoritmos já auxiliam médicos a identificar padrões em radiografias, tomografias e ressonâncias, além de sugerir condutas terapêuticas com base em grandes bases de dados. A OMS destaca que o principal objetivo declarado pelos governos consultados é melhorar o atendimento e os desfechos clínicos, meta que se traduz em iniciativas de medicina personalizada, triagem mais eficiente de pacientes e aperfeiçoamento da experiência geral de cuidado.

Embora o uso de IA esteja se expandindo em diferentes frentes, apenas Portugal, França e Espanha estabeleceram formalmente a cirurgia assistida por inteligência artificial, modalidade que combina robótica médica e algoritmos de precisão para otimizar movimentos e reduzir riscos intraoperatórios. Esses três países contam com protocolos oficiais que definem o papel do cirurgião, os requisitos de treinamento e os parâmetros de segurança relacionados a equipamentos robóticos governados por IA.

O relatório também chama atenção para a prioridade atribuída ao diagnóstico, ao prognóstico e à tomada de decisão médica assistida. Técnicas como elaboração de perfis de risco populacional, análise preditiva de evolução de doenças crônicas e interpretação de prontuários eletrônicos por meio de processamento de linguagem natural estão na agenda de praticamente todos os ministérios da Saúde europeus. Esses recursos dependem de grandes volumes de dados padronizados e de capacidade computacional elevada, geralmente provida por unidades de processamento gráfico (GPUs), componentes capazes de executar operações matemáticas complexas necessárias ao treinamento de modelos avançados.

Para viabilizar essas aplicações, 63% dos países da UE já criaram centros nacionais de dados de saúde, plataformas dedicadas a compilar, armazenar e processar informações de diferentes níveis de atenção. Outras 22% das nações estão em fase de desenvolvimento ou implantação de infraestruturas semelhantes. Em Portugal, por exemplo, a base reúne registros de atenção primária, emergências, internações, prescrições, mortalidade, cuidados críticos pediátricos e dados administrativos. O acesso para uso secundário, voltado a pesquisas, é restrito a cientistas do setor público, em atendimento a normas rígidas de confidencialidade.

Em vários outros países, entidades privadas também podem consultar esses bancos de dados, desde que submetam projetos a protocolos de anonimização capazes de suprimir identificadores pessoais. A OMS frisa que a proteção da privacidade é condição essencial para garantir a confiança do cidadão e a sustentabilidade de iniciativas tecnológicas no campo da saúde.

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Imagem: Internet

Apesar dos avanços, o documento aponta lacunas significativas na harmonização de políticas de compartilhamento de dados para pesquisa. A maioria dos Estados-membros ainda carece de regras claras e estruturas operacionais que permitam o intercâmbio seguro de informações entre instituições e fronteiras. De acordo com o relatório, a manutenção dessas barreiras pode resultar em soluções tecnicamente sofisticadas, porém desalinhadas das necessidades práticas da assistência clínica e da saúde pública.

A OMS observa, entretanto, que todos os sistemas de saúde analisados estão construindo bases para a adoção segura, equitativa e responsável da inteligência artificial. Entre as medidas em andamento, destacam-se programas de capacitação de profissionais, elaboração de códigos de ética específicos e revisão de legislações sobre responsabilidade civil em casos de erro algorítmico. Paralelamente, governos investem em auditorias independentes de algoritmos para avaliar precisão, vieses e impacto real nos cuidados prestados.

O estudo conclui que a combinação de infraestrutura de dados, marcos regulatórios robustos e qualificação da força de trabalho é determinante para que a inteligência artificial cumpra o potencial de elevar a qualidade, a eficiência e a equidade dos serviços de saúde na União Europeia. A OMS ressalta que o acompanhamento contínuo e a troca de experiências entre países serão decisivos para transformar inovações tecnológicas em benefícios concretos à população.

Crédito da imagem: OMS

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