A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo começa a aplicar, neste sábado (20), a vacina pneumocócica 20-valente (VPC20) em crianças menores de cinco anos. O novo imunizante será incorporado de forma gradual ao calendário infantil do Sistema Único de Saúde (SUS) e substituirá a vacina pneumocócica 10-valente (VPC10), utilizada atualmente na rotina de proteção contra doenças provocadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae.
A etapa inicial da campanha concentra-se nas unidades de Assistência Médica Ambulatorial/Unidades Básicas de Saúde Integradas (AMAs/UBSs Integradas), que funcionam das 7h às 19h. A partir de segunda-feira (22), a disponibilização da VPC20 será ampliada para todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da capital. A imunização ocorrerá conforme o histórico vacinal de cada criança, levando em conta as doses já administradas da VPC10 para definir a necessidade de reforços ou de séries completas.
De acordo com a coordenadora de Vigilância em Saúde do município, Mariana Araújo, a introdução da vacina 20-valente representa avanço na prevenção de casos graves de meningite, pneumonia e infecções sanguíneas causadas pelo pneumococo. O novo composto oferece cobertura ampliada porque protege contra mais sorotipos da bactéria do que a versão 10-valente, empregada na rede pública desde 2010.
Distribuição das doses e estimativas de cobertura
Até o momento, o Ministério da Saúde encaminhou 26.890 doses da VPC20 à Secretaria Municipal da Saúde. O quantitativo permitirá dar início à transição sem interromper o esquema já em curso com a VPC10. A pasta municipal estima que aproximadamente 116 mil crianças sejam imunizadas com a nova vacina até o fim de 2026, prazo considerado suficiente para completar o processo de substituição em todo o público-alvo.
Entre janeiro e maio deste ano, a rede municipal aplicou média de 24.607 doses mensais da VPC10. A partir da introdução da VPC20, o município planeja manter ritmo semelhante de aplicação, ajustando gradualmente a oferta conforme a chegada de novos lotes e a demanda registrada nas unidades de saúde.
Como será o esquema de transição
O cronograma de mudança segue as diretrizes do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Crianças que já iniciaram o esquema com a VPC10 receberão as doses restantes com a VPC20, desde que respeitados os intervalos mínimos recomendados. Também serão oferecidos reforços da nova vacina para crianças que concluíram o esquema anterior, conforme avaliação da caderneta de vacinação e orientações técnicas da equipe de saúde.
Os pais ou responsáveis devem apresentar o Cartão SUS e a carteirinha de vacinação no momento da aplicação para que profissionais verifiquem se há doses pendentes. Caso seja identificado atraso em outros imunizantes, as vacinas faltantes poderão ser aplicadas na mesma visita, seguindo o calendário oficial.
Importância da atualização vacinal
Segundo a Coordenação de Vigilância em Saúde, a atualização do calendário vacinal infantil é fundamental para evitar a circulação de sorotipos agressivos do pneumococo. A VPC20 amplia a cobertura contra cepas responsáveis por significativo número de hospitalizações e óbitos em crianças menores de cinco anos, faixa etária considerada de maior vulnerabilidade às complicações da doença pneumocócica.
Imagem: Radar da Saúde
A aplicação da VPC20 integra a estratégia nacional de fortalecimento do PNI, que desde 2023 vem incorporando vacinas com valência ampliada para melhorar indicadores de cobertura. A iniciativa também busca recuperar taxas de adesão que caíram durante a pandemia de covid-19, período em que muitos pais postergaram visitas aos postos de saúde.
Orientações aos responsáveis
A Secretaria Municipal da Saúde recomenda que responsáveis consultem previamente o horário de funcionamento da unidade mais próxima e verifiquem, na carteirinha, as datas das doses anteriores da vacina pneumocócica. Crianças com sintomas febris ou infecções agudas deverão aguardar recuperação clínica antes de receber o imunizante. Casos de alergia grave a componentes da vacina constituem contraindicação formal, devendo ser avaliados por profissional de saúde.
Não há necessidade de intervalo entre a VPC20 e outras vacinas do calendário infantil, permitindo que múltiplos imunizantes sejam administrados na mesma sessão, caso necessário. A aplicação simultânea segue protocolos de segurança validados pelo Ministério da Saúde e pelas sociedades médicas que atuam em imunizações.
Próximos passos da campanha
Com a distribuição inicial já em curso, a prefeitura aguarda novos envios do Ministério da Saúde para expandir a cobertura. A pasta federal prevê remessas mensais de VPC20 aos estados, que, por sua vez, redistribuem as doses aos municípios. A continuidade desse fluxo será determinante para cumprir a meta de vacinar todas as crianças elegíveis até dezembro de 2026.
As autoridades municipais reafirmam que a vacinação é uma das formas mais eficazes e seguras de prevenção de doenças infecciosas. Pais e responsáveis que tiverem dúvidas podem procurar a unidade de saúde de referência ou acessar os canais de atendimento da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo.
Crédito da imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil




