O líder indígena Raoni Metuktire, de 94 anos, apresenta quadro clínico estável e continua em recuperação na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital São Paulo, vinculado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). De acordo com boletim divulgado nesta segunda-feira (22), o cacique não apresenta febre, respira sem auxílio de ventilação mecânica, mantém função renal dentro dos parâmetros de normalidade e recebe alimentação por meio de sonda enteral. A internação ocorre após procedimento cirúrgico para desobstrução intestinal realizado no último sábado (20).
Raoni havia sido transferido para a capital paulista na sexta-feira (19), procedente do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop, norte de Mato Grosso. A remoção foi coordenada por equipes médicas que já acompanhavam a evolução do quadro desde a admissão inicial, em 14 de junho, quando o estado de saúde do cacique foi classificado como grave. A transferência visou ofertar suporte hospitalar de maior complexidade, incluindo recursos especializados em cirurgia digestiva e terapia intensiva.
O procedimento a que o líder indígena foi submetido no sábado teve como objetivo remover a obstrução intestinal identificada durante exames de imagem realizados ainda em Mato Grosso. Segundo o informe médico, a cirurgia transcorreu sem intercorrências relevantes. Desde então, o paciente permanece em observação contínua, condição considerada adequada para a faixa etária e para o tipo de intervenção realizada. A equipe ressalta que não há necessidade de assistência respiratória invasiva e que os rins funcionam normalmente, fator essencial para a estabilidade hemodinâmica do pós-operatório.
O acompanhamento próximo da evolução clínica é conduzido pelo médico cirurgião Franz Robert Apodaca Torrez, que articulou a passagem de informações entre as unidades hospitalares envolvidas. Torrez já acompanhava o caso anteriormente e, após a transferência, passou a liderar o grupo assistencial responsável por monitorar sinais vitais, balanço hídrico e possível retorno gradual da atividade intestinal. Além dele, participa do planejamento terapêutico o médico Douglas Antônio Rodrigues, responsável pelo Ambulatório de Saúde dos Povos Indígenas da Unifesp e há décadas ligado ao cuidado de Raoni. Rodrigues cooperou na definição da logística de transporte aéreo e no delineamento de protocolos específicos para pacientes idosos de etnia indígena.
Durante a permanência na UTI, a nutrição enteral é administrada por sonda posicionada diretamente no trato gastrointestinal, medida recomendada para garantir aporte calórico adequado enquanto o intestino se recupera da intervenção cirúrgica. O boletim informa que não há registros de complicações infecciosas, sangramentos ou sinais de rejeição alimentar. A temperatura corporal permanece controlada, indicador relevante para descartar processos inflamatórios agudos. Equipes de enfermagem executam avaliações regulares a cada poucas horas, verificando níveis de pressão arterial, frequência cardíaca e saturação de oxigênio.
Embora o quadro atual seja considerado estável, os profissionais mantêm vigilância constante devido à idade avançada do paciente e às particularidades de seu histórico médico. O período de internação na UTI será mantido até que haja confirmação de recuperação funcional do intestino e de plena capacidade para ingestão oral. Só então poderá ser cogitada a transferência para unidade de internação de menor complexidade ou eventual retorno a Mato Grosso, hipótese condicionada à evolução favorável e à avaliação multidisciplinar.
Imagem: Radar da saúde 23
Raoni Metuktire é reconhecido internacionalmente por sua atuação em defesa dos povos indígenas e da preservação da Floresta Amazônica. Desde a primeira internação em Sinop, representantes de sua comunidade seguem acompanhando o andamento do tratamento em contato direto com a equipe médica e com a família. Todas as atualizações sobre o estado de saúde vêm sendo divulgadas por meio de boletins oficiais do Hospital São Paulo, prática que deverá prosseguir enquanto durar o período de cuidados intensivos.
Não foram fornecidas previsões de alta nem estimativas de tempo para reabilitação plena. Os médicos explicam que a prioridade é assegurar a completa resolução do quadro intestinal e a manutenção da estabilidade clínica. Novas informações serão comunicadas conforme a evolução do paciente e a necessidade de intervenções adicionais. Por ora, a ausência de febre, a função renal preservada e a respiração espontânea são apontadas como indicadores positivos no processo de recuperação.
Crédito da imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil




