Festas juninas e julinas elevam risco de queimaduras em crianças e adolescentes, alerta SBP

A proximidade das celebrações juninas e julinas aumentou o estado de atenção em relação a acidentes com fogo e materiais quentes envolvendo crianças e adolescentes. O alerta foi emitido nesta segunda-feira (22) pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que destacou a alta incidência de queimaduras nesse público durante o período de comemorações de São João.

Internações predominam entre menores de cinco anos

Levantamento da SBP com base no Sistema Único de Saúde (SUS) mostra que, entre 2024 e 2025, mais da metade das hospitalizações pediátricas por queimaduras concentrou-se em crianças com menos de cinco anos. Esse grupo respondeu por 53,8% das internações registradas no país, indicando maior vulnerabilidade nessa faixa etária.

No biênio analisado, o SUS registrou 13.820 internações de crianças e adolescentes por queimaduras e outros acidentes térmicos graves, sendo 6.965 ocorrências em 2024 e 6.855 em 2025. Em média, quase 20 jovens foram hospitalizados por dia. A SBP ressalta que o número real de casos deve ser superior, pois os dados oficiais incluem apenas episódios que exigiram internação; situações leves ou moderadas, tratadas em pronto-atendimentos ou em domicílio, não entram nas estatísticas.

Distribuição etária dos casos graves

Além da predominância entre menores de cinco anos, o levantamento detalhou a participação de outras faixas etárias nas internações registradas pelo Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do Ministério da Saúde:

  • 5 a 9 anos: 2.820 internações (20%)
  • 10 a 14 anos: 1.848 internações (13%)
  • 15 a 19 anos: 1.721 internações (12%)

A exposição a chamas de fogueiras, fogos de artifício, líquidos quentes e superfícies aquecidas em ambientes domésticos foi apontada como a principal causa dos atendimentos hospitalares. A SBP acrescenta que também houve registros associados a descargas elétricas, produtos químicos, temperaturas extremas e agressões.

Consequências fatais ainda preocupam

Os dados de mortalidade do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) indicam mais de 300 óbitos de crianças e adolescentes por queimaduras e acidentes térmicos em cada um dos anos de 2023 e 2024. Segundo a SBP, a gravidade dos ferimentos depende da profundidade da lesão, variando de danos superficiais a casos que exigem procedimentos cirúrgicos e longos períodos de reabilitação.

Regiões Sudeste e Nordeste lideram internações

Quando analisados por região, os maiores números de internações pediátricas foram registrados no Sudeste, com 2.203 casos em 2024 e 2.328 em 2025. Em seguida aparecem:

  • Nordeste: 1.830 em 2024 e 1.799 em 2025
  • Sul: 1.675 em 2024 e 1.763 em 2025
  • Norte: 724 em 2024 e 692 em 2025
  • Centro-Oeste: 533 em 2024 e 525 em 2025

Curiosidade infantil amplia exposição ao perigo

O presidente da SBP, Edson Liberal, enfatiza que a curiosidade é natural no processo de aprendizagem, mas alerta para a imaturidade das crianças em reconhecer risco. Objetos coloridos, brilhantes ou em movimento, como fogos de artifício, atraem a atenção dos pequenos, que muitas vezes tentam reproduzir comportamentos observados em adultos. Situações corriqueiras, como puxar toalhas de mesa, alcançar recipientes em locais altos ou manusear utensílios de cozinha, também figuram entre as causas de acidentes.

Festas juninas e julinas elevam risco de queimaduras em crianças e adolescentes, alerta SBP - Radar da Saúde

Imagem: Radar da Saúde

Recomendações de prevenção

Para reduzir ocorrências durante as festas juninas e julinas, a SBP orienta:

  • Não permitir que crianças manuseiem fogos de artifício, fósforos, isqueiros ou qualquer dispositivo que gere chama ou explosão.
  • Manter vigilância constante e garantir que menores permaneçam afastados de fogueiras, churrasqueiras e recipientes com líquidos ou alimentos quentes.
  • Adaptar ambientes domésticos, posicionando panelas com cabos voltados para dentro do fogão, retirando toalhas longas e mantendo produtos inflamáveis fora do alcance infantil.
  • Proteger tomadas, evitar fios desencapados e assegurar instalações elétricas adequadas.
  • Armazenar substâncias químicas, como produtos de limpeza e soda cáustica, em locais trancados ou em embalagens invioláveis.

A entidade destaca que a maioria dos episódios pode ser evitada com informação e medidas simples de segurança. Adultos devem planejar as comemorações, delimitar áreas de risco e reforçar a supervisão constante, sobretudo quando houver fontes de calor, fogo ou líquidos em alta temperatura.

De acordo com a SBP, a pele infantil é mais delicada que a de adultos, o que favorece queimaduras profundas e eleva o risco de sequelas. Em ocorrências graves, a assistência médica imediata é essencial para reduzir complicações, encurtar o tempo de internação e melhorar o prognóstico.

Com a temporada de festas se aproximando, a sociedade médica reforça que prevenção e vigilância devem ser prioridade para garantir a segurança das crianças e adolescentes, evitando que momentos de celebração se transformem em atendimentos emergenciais.

Crédito da imagem: Sociedade Brasileira de Pediatria

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