Cacique Raoni inicia dieta oral e mantém evolução clínica em São Paulo

O líder indígena Raoni Metuktire, de 94 anos, deu início à transição para alimentação por via oral, segundo boletim médico divulgado nesta terça-feira, 23 de abril. O documento emitido pela equipe do Hospital São Paulo, na capital paulista, informa que o quadro geral de saúde do cacique continua em melhora progressiva.

Raoni foi internado em 14 de abril em um hospital no estado de Mato Grosso, apresentando desidratação, sonolência intensa, distensão abdominal e ausência de diurese — condição em que os rins deixam de filtrar adequadamente o sangue. Diante da gravidade, a equipe local optou pela estabilização inicial e pelo acompanhamento intensivo, classificando o estado clínico como grave.

Alguns dias depois, com sinais de ligeira melhora, os profissionais de saúde decidiram transferi-lo para o Hospital São Paulo, referência em cuidados de alta complexidade. O transporte ocorreu em unidade de terapia intensiva móvel, seguindo protocolos de segurança para pacientes idosos e em condições críticas.

Na capital paulista, Raoni passou por uma cirurgia de desobstrução intestinal. O procedimento foi considerado bem-sucedido pelos cirurgiões, que conseguiram restabelecer o fluxo adequado no trato digestivo sem intercorrências significativas. A operação foi acompanhada por anestesia geral e monitoramento hemodinâmico contínuo.

Após a cirurgia, o cacique permaneceu na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital São Paulo para vigilância pós-operatória. No boletim de segunda-feira, 22 de abril, os médicos relataram quadro estável, ausência de febre e respiração espontânea, sem necessidade de ventilação mecânica. A função renal, que havia motivado preocupação no início da internação, já se mostrava normalizada, indicando resposta favorável ao tratamento.

O informe desta terça-feira acrescenta a introdução gradual de dieta oral, etapa relevante na recuperação de pacientes submetidos a intervenções abdominais. A passagem da nutrição parenteral ou enteral para a via oral depende da retomada dos movimentos intestinais e da capacidade de deglutição, fatores que, segundo o boletim, foram alcançados por Raoni sem complicações.

A equipe multiprofissional segue monitorando parâmetros vitais, balanço hídrico e marcadores inflamatórios. Fisioterapeutas trabalham na manutenção da função pulmonar e na mobilização precoce, enquanto nutricionistas ajustam a dieta de acordo com a tolerância individual do paciente. Também estão em curso avaliações periódicas de função renal, essencial para evitar sobrecarga nos rins após o episódio de ausência de diurese.

Cacique Raoni inicia dieta oral e mantém evolução clínica em São Paulo - Radar da Saúde

Imagem: Radar da Saúde

Raoni é reconhecido internacionalmente por sua atuação em defesa dos povos indígenas e da Amazônia. Apesar da agenda intensa que costuma cumprir, a família e os representantes do líder informaram que ele permanecerá em repouso absoluto até liberação da equipe médica, priorizando a recuperação completa.

Não há previsão para alta hospitalar. Novos boletins serão divulgados conforme a evolução clínica, e outro comunicado está programado para a quarta-feira, 24 de abril. Até o momento, a equipe médica não identificou sinais de infecção, complicação comum em pós-operatórios de pacientes idosos.

A assessoria do Hospital São Paulo destaca que o cacique recebe todos os cuidados indicados pelos protocolos para pessoas na faixa etária acima de 90 anos. Entre as medidas adotadas estão profilaxia de trombose, controle rigoroso de hidratação e acompanhamento cardiológico, uma vez que a idade avançada pode representar fator adicional de risco durante a internação.

Responsáveis pelo tratamento reforçam que o estado clínico permanece em evolução positiva, mas continuam em atenção constante devido à complexidade inerente ao caso. A passagem para a dieta oral é interpretada como sinal significativo de recuperação das funções gastrointestinais, etapa considerada fundamental para a reabilitação completa.

Crédito da imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *