O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, manifestou nesta segunda-feira apoio às autoridades da Espanha e de outros países afetados pelo recente surto de hantavírus a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius. Segundo Guterres, a resposta está sendo coordenada com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e, apesar de o risco atual para a saúde pública ser considerado baixo, a cooperação internacional continua essencial para proteger passageiros, tripulação e comunidades potencialmente expostas.
O Hondius partiu da Argentina em março, com escalas na Antártida e em outros pontos do Atlântico Sul, antes de seguir rumo ao norte, próximo às águas de Cabo Verde, na costa oeste da África. Quando o surto foi comunicado pela primeira vez à OMS, o navio levava 147 pessoas entre passageiros e tripulantes; outros 34 viajantes já haviam desembarcado em portos anteriores. Três mortes foram confirmadas a bordo desde a detecção inicial da infecção.
No domingo, a embarcação atracou na Ilha de Tenerife, nas Canárias, onde começou a evacuação dos ocupantes. Os viajantes estão sendo repatriados e, conforme os protocolos sanitários, permanecerão em monitoramento de sintomas por 42 dias. Agências de notícias informaram que dois passageiros — uma cidadã francesa e um cidadão norte-americano — testaram positivo para o hantavírus após retorno a seus países de origem, elevando para dez o total de casos confirmados relacionados ao surto.
De acordo com autoridades francesas, a passageira foi transportada de avião para um hospital em Paris e seu estado de saúde é grave. Já o passageiro norte-americano chegou ao Estado de Nebraska acompanhado de outros 16 compatriotas; ele também recebeu diagnóstico positivo, porém permanece assintomático. Equipes médicas locais adotam vigilância constante para identificar qualquer evolução clínica.
A situação também envolve um caso suspeito fora do grupo principal de viajantes. Um britânico que desembarcou na ilha de Tristão da Cunha, território ultramarino do Reino Unido situado a meio caminho entre a África do Sul e a América do Sul, relatou no fim de abril sinais compatíveis com infecção por hantavírus. A localidade abriga aproximadamente 200 moradores permanentes. No sábado, militares britânicos lançaram de paraquedas profissionais de saúde e suprimentos médicos na região. O paciente permanece isolado e seu quadro é considerado estável.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a agência mantém diálogo contínuo com especialistas e autoridades dos países envolvidos. Segundo o dirigente, a coordenação intergovernamental é determinante para resguardar não apenas passageiros e tripulantes, mas também equipes de resposta e populações costeiras que possam vir a interagir com pessoas potencialmente infectadas.
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Hantavírus são patógenos transmitidos por roedores. A contaminação humana costuma ocorrer por meio do contato direto com animais infectados ou com secreções, urina e fezes desses roedores. A variante identificada no surto do Hondius é do tipo Andes, considerada a única com evidências de transmissão entre seres humanos, o que aumenta a necessidade de vigilância em ambientes fechados e durante o transporte de indivíduos expostos.
Até o momento, não existe tratamento antiviral específico para infecções por hantavírus. As autoridades sanitárias recomendam assistência médica de suporte iniciada o mais precocemente possível, com foco em monitoramento clínico rigoroso e no controle de complicações respiratórias, cardíacas e renais. Especialistas reiteram que a detecção rápida de casos, a quarentena de contatos e a troca de informações em tempo real entre os países são decisivas para limitar a expansão do surto.
À medida que os passageiros continuam a ser realocados para centros de saúde e locais de quarentena, a ONU e a OMS mantêm equipes técnicas disponíveis para avaliar necessidades logísticas adicionais. O objetivo central é garantir que os 147 viajantes, seus familiares, trabalhadores portuários e residentes em áreas de escala sigam protocolos científicos padronizados até o término do período de risco estabelecido.
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