Boletim mais recente do sistema Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indica que 18 estados e o Distrito Federal permanecem em situação de alerta, risco ou alto risco para a ocorrência de casos graves de síndromes gripais, enquanto 13 dessas unidades federativas exibem tendência de alta nas próximas semanas.
A situação mais crítica, segundo o relatório, concentra-se no Mato Grosso e no Maranhão. Além disso, Acre, Tocantins, Bahia e Pernambuco, atualmente classificados em nível de risco, tendem a evoluir para um cenário adverso nas projeções de curto prazo. O mapa nacional mostra distribuição heterogênea dos casos: algumas regiões mantêm estabilidade, mas grande parte ainda monitora elevação consistente nos indicadores de internação por síndrome respiratória aguda grave (SRAG).
No recorte nacional, os pesquisadores observam interrupção do crescimento em determinados estados e, em alguns pontos, início de queda nos registros associados aos vírus influenza A e rinovírus. Apesar dessa desaceleração localizada, esses dois agentes responderam por mais de 70% das ocorrências com diagnóstico laboratorial positivo nas últimas semanas epidemiológicas analisadas.
A SRAG caracteriza-se pela piora de um quadro gripal inicial. Pacientes que apresentam febre, coriza ou tosse passam a manifestar dificuldade respiratória e precisam de hospitalização. Embora infecções virais sejam o gatilho mais comum, exames nem sempre identificam o agente causador. Entre os vírus capazes de provocar os quadros mais graves, três contam com imunização disponível no Sistema Único de Saúde (SUS): influenza A, influenza B e o coronavírus responsável pela covid-19.
A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza está em andamento em todo o país. Têm prioridade crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes e idosos, grupos considerados mais suscetíveis a complicações respiratórias. A dose atual protege contra as cepas predominantes incluídas na formulação definida pela Organização Mundial da Saúde para o hemisfério sul.
Em relação à covid-19, a orientação do Ministério da Saúde estabelece a primeira aplicação para todos os bebês aos 6 meses de idade. Reforços periódicos são indicados a idosos, gestantes, pessoas com deficiência, portadores de comorbidades, imunossuprimidos e demais públicos vulneráveis. O cronograma de doses adicionais considera intervalo mínimo de seis meses, conforme disponibilidade dos imunizantes atualizados para variantes recentes.
Desde o ano passado, grávidas também podem receber nos serviços públicos a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR). O objetivo é gerar anticorpos capazes de atravessar a placenta e proteger recém-nascidos, principal faixa etária acometida pela bronquiolite causada pelo VSR. A medida amplia o arsenal preventivo diante da sazonalidade típica das infecções respiratórias em bebês.
Imagem: Radar da Saude 1
A pesquisadora Tatiana Portella, integrante do Boletim Infogripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz, reforça que a vacinação é o meio mais eficaz para evitar internações e óbitos. Ela recomenda que profissionais de saúde e demais indivíduos mais expostos completem o esquema de imunização o quanto antes. Para pessoas que apresentem sintomas de gripe ou resfriado, a orientação é permanecer em isolamento domiciliar. Se houver necessidade de sair, o uso de máscara bem ajustada é indicado para reduzir a transmissão.
De janeiro até a publicação do boletim, o Brasil notificou 31.768 casos de SRAG. Desse total, aproximadamente 13 mil tiveram confirmação laboratorial para algum vírus respiratório. O rinovírus lidera os resultados positivos, com 42,9% dos testes. Na sequência aparecem influenza A (24,5%), vírus sincicial respiratório (15,3%), covid-19 (11,1%) e influenza B (1,5%). Esse quadro reforça a diversidade de agentes circulantes e a necessidade de vigilância constante por parte das autoridades sanitárias.
No mesmo intervalo, foram registradas 1.621 mortes por síndrome respiratória aguda grave em todo o país. Entre os óbitos com diagnóstico virológico confirmado, a covid-19 responde por 33,5%, seguida por influenza A (32,9%), rinovírus (22,7%), vírus sincicial respiratório (4,8%) e influenza B (2,8%). Os dados evidenciam que o coronavírus continua a ter impacto significativo, embora outras infecções também contribuam de maneira expressiva para a letalidade observada.
Especialistas da Fiocruz destacam que a manutenção de altas coberturas vacinais, aliada a medidas de higiene respiratória — como etiqueta da tosse, ventilação de ambientes e uso de máscaras em locais fechados quando necessário — é fundamental para conter a pressão sobre o sistema hospitalar. A vigilância epidemiológica seguirá monitorando a evolução dos indicadores para orientar as ações de saúde pública nas próximas semanas.
Crédito da imagem: Joédson Alves/Agência Brasil




